sábado, 29 de outubro de 2016

UM SONHO DE LIBERDADE

Uma ode ao triunfo da esperança e da liberdade    

A persistência de um prisioneiro em cavar um túnel durante longos vinte anos, que o levaria a um paraíso chamado Zihuatanejo  ´  

Um Sonho de de Liberdade é um libelo contra a injustiça, através de uma improvável amizade na década de 40, entre um branco, rico, culto e inocente e um negro, pobre e marginal, que floresce e se fortalece desde o primeiro olhar dentro dos muros de Shawshank.
Sob as garras do aparelho ideológico
Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem. - Escritor Eugène Lonesco - Criminal Minds
 de films
Alguém já disse que o cinema dá um tempero especial à nossa vidinha mundana. No universo cinematográfico existe um tipo, aquele sobre prisão, que sempre atiçou nossa imaginação. São filmes que agradam uma grande legião de fãs, que está em busca de uma boa história. E elementos como vingança e redenção, costumam estar entre as principais motivações para a conquista desses fãs. Entre esses bons representantes posso citar Papillon (1973), O Expresso da Meia-Noite (1978), Alcatraz - Fuga Impossível (1979) e O Profeta (2009). Este último, por exemplo, narra a história de um condenado a seis anos de prisão, meio árabe, meio córsico, e analfabeto, que ao chegar à prisão, ainda jovem e totalmente sozinho, parece mais frágil do que os demais detentos.

Porém, há alguns que se encaixam como uma luva na descrição da primeira frase acima. São aqueles que renovam nosso apetite por viver, que nos despertam o desejo de ver o futuro com um olhar mais complacente, com um pouco mais de esperança. Simples assim. É o caso de Um Sonho de Liberdade (1994). Ele está entre os filmes raros, raríssimos sobre o assunto que, embora realizados em um ambiente hostil e desumano conseguiram a proeza de abordar com inteligência e sensibilidade algo que nos é tão caro: esperança e liberdade. Estas duas preciosidades, improváveis de serem encontradas em locais como os usados como cenários, o interior dos frios muros de pedras de um rígido e cruel sistema prisional, estão presentes no excepcional Um Sonhe de Liberdade.

Mas não só por isso esta bela produção é considerada um grande obra cinematográfica, ela possui outros predicados. Como já afirmei em textos anteriores, filmes assim infelizmente tornaram-se artigo de luxo em Hollywood, mormente nos dias atuais. Parece que seus principais realizadores andam sofrendo de uma terrível crise de criatividade. O que talvez justifique a quantidade de produções de qualidade duvidosa e remakes (2016 é o ano dos remakes), sem atrativos para o público mais exigente. A maioria são produções que nada acrescentam — que me perdoem os fãs de tiroteios sem sentido, sangue jorrando aos borbotões, efeitos especiais inverossímeis, corridas malucas e etc. Um bom exemplo do que estou tentando dizer está em Velozes e Furiosos (2001), uma franquia (arranjaram um eufemismo para “continuação”), que já se encontra na 8ª produção, (ufa!); Paul Walker deve estar se revirando no túmulo. E acreditem meus amigos, ninguém sabe quando isto vai parar, pois a 9ª e 10ª já se encontram no forno, e com data para chegar aos cinemas! A nona está prevista para abril de 2019, enquanto Velozes e Furiosos 10 tem previsão para abril de 2021 – 20 anos depois do primeiro filme. Valha-nos, ó Senhor! No caso dos remakes, faz-se necessário uma visão mais crítica da questão, não se pode considerar apenas o lucro financeiro, é preciso haver também uma razão lógica para se realizá-los. como repaginar sua narrativa e trazê-lo para os dias atuais para que possa se identificar com a nova geração.

Mas voltemos ao que de fato aqui interessa. Desde seu lançamento comercial por aqui, já vi e revi Um Sonhe de Liberdade uma boa dúzia de vezes. E mesmo assim, sempre me pergunto se não fui negligente, sentindo-me pesaroso por não ter-lhe concedido Numa  mais atenção. Como de hábito, para o desafio de escrever sobre qualquer filme, cá estou revendo-o como a mesma motivação e entusiasmo das outras vezes. Procedimento padrão, para que nenhum detalhe importante me escape à memória, que já não é a mesma de outrora. Com a justa preocupação, porém, de sintetizar o pensamento. Pois, como afirma Cassiano Ricardo em seu ‘Noturnidade’: “Não adianta querermos ser claros. A lógica não convence, a explicação nos cansa. O que é claro não é preciso ser dito.”
Portanto, tentando evitar a obviedade na medida do possível, inicio pelo diálogo abaixo que, quando pronunciado, pode ter parecido enigmático e até inocente para muitos, mas que já era um prelúdio de uma das fugas mais engenhosas e audaciosas retratadas pelo cinema: 

- Existe algo dentro de nós que eles não podem tocar. Algo que é só seu, e você pode levar para onde for.
- E o que é?
- Esperança, Red. Esperança. 
Os amigos improváveis: Andy e Red.
Em sua estreia atrás das câmeras o roteirista e agora cineasta  Frank Darabont, consegue realizar um dos filmes mais emblemáticos, belos e emocionantes das últimas décadas do século XX. E o realizou com uma competência poucas vezes encontrada em um primeiro trabalho. Como poucas são também as vezes que é possível empregar a expressão “obra-prima” sem que ela tenha uma conotação reducionista e banal (saiba mais em: O Pensamento Reducionista)

Era o ano do Tetra quando ele foi produzido e competiu ao Oscar com a genialidade de Woody Allen com seu Tiros na Broadway e a competência de Tarantino com Pulp Fiction: Tempo de Violência. Entretanto, todos os três foram derrotados por Forrest Gump: O Contador de Históriasinjustamente na minha sempre humilde opinião. O que faço pelo menos em relação ao filme de Darabont, que possivelmente seja o mais contundente entre os já realizados sobre prisão em toda a história do cinema. Digo isto porque sua alma (metaforicamente falando) está impregnada de uma das mais intensas buscas da liberdade pessoal e espiritual já retratada nas telas, principalmente se considerado filmes do gênero. Algo muito desejado pela maioria dos homens, embora a maioria nem o saiba. Mesmo considerando todo o lirismo e a inocência explícita contida no filme de Zemeckis, que retratou sem medo de ser feliz o egocentrismo americano com sua ostensiva maneira de ser, viver, se relacionar e influir em outras culturas. 

O não reconhecimento do filme de Darabont não foi o primeiro equívoco cometido pela Academia na sua história. Já ocorreram outros — vale a pena saber um pouco mais sobre o assunto nestes sites selecionados: Entendendo o Oscar e o "Academy of Motion...", este da própria Academia. Esses equívocos acontecem com espantosa frequência como na premiação de 2002 com O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), de Peter Jackson. Esta obra-prima também foi preterida em favor de Uma Mente Brilhante, do mesmo ano, que conta a história da dura vida do matemático John Nash. Mas neste caso passaram-se apenas dois anos para se admitir um mea-culpa. Como se tivesse redimindo-se de um erro, a Academia foi pródiga ao premiar O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003), que encerra a trilogia, com nada menos que 11 estatuetas. O que permitiu que a obra de Jackson figurasse no Pantheon dos mais laureados, ao lado de Ben-Hur (1959) e Titanic (1997).

Após sua condenação, Andy chega a Shawshank 
O roteiro de Darabont baseou-se em uma adaptação do conto 'Primavera Eterna - Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank', de Stephen King, publicado no livro As Quatro Estações, de 1982. O que poucos sabem é que desse livro dois outros contos transformaram-se em filmes: Conta Comigo (1986), e O Aprendiz (1998). Outra curiosidade é sobre o número “237” da cela de Ellis Boyd 'Red' Redding, o personagem de Morgan Freemané o mesmo número "237" do quarto de hotel no filme O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, e também na cena de Conta Comigo, de Rob Reiner, quando as crianças juntam dinheiro e conseguem acumular US$ 2 e 37 centavos. Como os demais, O Iluminado também é baseado em uma obra de Stephen King. Reiner, que realizou em 1990 outra excelente adaptação de Stephen King com Louca Obsessão, chegou a oferecer 2,5 milhões de Dólares a Frank Darabont pelos direitos do roteiro. 

E foi provavelmente o mais inteligente Dólar gasto pelo roteirista e diretor Frank Darabont. Pois ele fez um ótimo negócio com a compra dos direitos autorais da história de King. Pois ele os adquiriu pela inacreditável bagatela de um Dólar; isto mesmo, US$ 1,00. Darabont escreveu o roteiro em apenas oito semanas e decidiu abandonar a parte "Rita Hayworth" da história, porque atrizes enviaram seus currículos pensando que era um filme biográfico sobre Rita Hayworth. Durante o processo de escolha do elenco Darabont chegou mesmo a receber um telefonema de um agente que representava uma supermodelo; ele jurou que o roteiro era o melhor que ela já havia lido, e que seria perfeita para o (inexistente) papel de Hayworth.
  
O  roteiro conta a história de um sujeito chamado Andy Dufresne, vivido por Tim Robbins. Ele é um jovem banqueiro de carreira promissora (papel que havia sido oferecido e recusado por Tom Hanks por estar comprometido com Forrest Gump; outro ator que o recusou e mais tarde se arrependeu foi Kevin Costner). Julgado,  Andy é condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e pelo amante desta. Crime do qual é inocente, como é provado no decorrer da história. Por este mal entendido ele passará duas décadas na prisão antes de conseguir escapar. Durante esse tempo vai se relacionar com uma série detentos, mas com um deles em particular, Red, iniciará uma duradoura e profunda, enriquecedor e estimulante amizade. Um relacionamento em torno de uma série de questões importantes como a esperança, a redenção e a fraternidade, com ambos esforçando-se para viver ou para morrer por elas. Como se pode ver, não é pouca coisa.

Uma das muitas reprovações da libertação de Red.
A esta altura vale destacar que, ao contrario do que deveria ser, em Shawshank a reabilitação do indivíduo está em segundo plano. Os diferentes níveis de privação da liberdade mostrados por Darabont são, na verdade, apenas fachada para a segregação feita pela sociedade. E isso é demonstrado nas constantes avaliações de Red, um homem por demais humano, sem nenhum grande vício, já arrependido de seus crimes, mas que é repetidamente reprovado na avaliação da junta da condicional. Contrastando com Red, o personagem Andy é culto e inteligente. Ele passa de trabalhador na lavanderia da prisão à bibliotecário, logo que tem uma oportunidade de demonstrar seus conhecimentos. Com muita perseverança ele consegue ampliar a até então pobre biblioteca de Shawshank. Mas para o diretor Warden Norton (Bob Gunton), o essencial são seus serviços como contador além de ser o responsável pela declaração de imposto de todos os guardas. É ele quem faz para o diretor Norton a lavagem do dinheiro sujo de toda propina que passa pelo presídio.

Do que poderia ser a pior das negações da vida, a perda da liberdade, a prisão é a forma de punição encontrada pelo Estado para enquadrar aqueles que transgridem a lei, a moral e a ética. Principalmente estas últimas, que ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano originando-se historicamente de conceitos civilizatórios, que encontram fundamentos na tradição de culturas religiosas.

Curiosamente, como a concepção da ideia de “redenção”, do título original, trata-se de algo que muitos filósofos modernos consideram um equívoco. Tal como a muito influente romancista e filosofa Ayn Rand (que fez mais do que qualquer outra pessoa para desenvolver um argumento moral convincente a favor do individualismo e da liberdade). Ela é defensora da ideia que o código do bem e do mal do homem com as conotações emocionais de elevação, enaltecimento, nobreza, reverência e grandiosidade, pertencem somente ao universo dos valores do homem, os quais, segundo ela, a religião indevidamente se apropriou.

- Eu acredito em duas coisas: na disciplina e na Bíblia. Aqui vocês terão ambas. 

Considero interessante neste ponto, escolher algumas cenas nas quais Norton está envolvido ou a Bíblia possui significação própria, ou o discurso religioso foi evocado de alguma forma. A primeira delas é na chegada dos novos condenados a Shawshank. Nesta cena eles aparecem enfileirados (atenção para a pouca iluminação, um belo trabalho da fotografia) com as sombras tomando conta do cenário. Propositalmente, por isto, não é possível ver nenhum rosto, exceto o diretor da prisão. Quando este aparece em 'primeiro plano' (quando a figura humana é filmada do peito para cima, também conhecida por 'close-up', ou 'close'; saiba mais em: Enquadramentos-planos e ângulos), é o único cujo rosto pode ser identificado. Somente depois é possível ver o espaço em que a tomada foi realizada.

Warden Norton, único rosto iluminado, e sua inseparável Bíblia.
Logo em seguida, a câmera mostra Norton segurando uma Bíblia e este iniciando a apresentação para os novos detentos as regras que regem a prisão. A disciplina e a fé, que sustentam o sistema, são muito evocadas nessa cena. Ele explica quais são as regras vigentes ali dentro, valendo destacar que o faz de maneira enfática (típico das figuras discricionárias). Materializa assim um discurso de domínio em relação aos presos. Sua posição hierárquica, portanto, emanando sinais de superioridade, comando e ordem naquele local. Além disso, reitera o quanto repudia quaisquer formas de desrespeito, e principalmente o que julga sua pior representação, a blasfêmia, proferindo:

- regra número um: Não blasfemar. O nome de Deus não será chamado em vão na minha prisão. 

Aqui é possível relacionar os papéis do diretor Norton e seu guarda, como representações máximas do aparelho repressor do Estado naquele recinto, tal como conceituava Louis Althusser  — saiba mais em: Ideologia e Aparelhos Ideologicos do Estado - resumo.

Capitão Hadley, o cão de guarda de Norton.
Portanto, quando pensamos em ideologia, pensamos também na base econômica que determina seu funcionamento nas instâncias político-jurídicas. Um caso recente no Brasil, foram as acusações ocorridas nos debates das eleições de 2014, entre Dilma e Aécio, onde ela e o PT foram acusados de aparelhar ideologicamente o Estado – veja mais neste outro link: O que é aparelhamento do Estado? O comunismo que você não vê. No caso especifico do filme em análise, é visível a presença do capitalismo protestante norte-americano (já mencionado) e suas demais relações com o contexto religioso, relembrando a tríade: disciplina, trabalho e fé como pilares da sociedade. Assim é que, quando aparecem as figuras do diretor e do guarda, o Capitão Hadley (Clancy Brown), estas trazem a representatividade do Estado como regulador. Isto é, aquele que autoriza ou não os indivíduos a certas condutas e os pune, caso seja desobedecido (quer através da privação da liberdade, do trabalho forçado ou da violência física como observamos no filme, ou ainda por meio de subterfúgios e danos psicológicos).

Norton e a cruz dourada em sua lapela.
Com este pronunciamento os autores (escritor e roteirista) apresentam Norton como uma personificação da instituição e grande defensor dos valores que ela prega. Ideia que será ampliada nas cenas subsequentes. Como tal envergadura, ele se acha em condições de ostentar na lapela o símbolo máximo da religião cristã, a cruz. Assim, os valores religiosos que sustentam a forma de organização da vida prisional ficam representados. E representados que são, a todo momento, por uma figura de autoridade ligada à religião, na personagem do diretor Norton em diversas cenas do filme está de posse de uma Bíblia. Ele não porta qualquer tipo de arma, mesmo cassetetes como seus guardas — embora seja o líder de todos eles.

Cabe ao Livro Sagrado portanto a responsabilidade pela manifestação de seu poder, que seria também aprovado e reafirmado pela figura do próprio Deus. Uma vez que, como autoridade máxima da prisão, Norton se comporta como um emissário Divino, alguém com a missão de regenerar indivíduos que cometeram crimes contra a sociedade. Aqui vale uma outra observação: o paradoxo de seu comportamento, pois recrimina a blasfêmia enquanto ele próprio é um blasfemo de primeira ordem (como se zombasse de Deus).

Tommy, sentenciado à morte por saber demais.
A personalidade deste personagem é, no mínimo, instigante. Em momento algum ele perde o controle emocional ou age diretamente com violência contra os prisioneiros (comportamento que me remete, pela semelhança, à de uma notória figura de nossa política: a do Deputado Eduardo Cunha). Cabe, pois, ao Capitão Hadley, sempre sob suas ordens, usar a força, chegando ao ponto de por vezes agredir ou eliminar prisioneiros como demonstração de autoridade. E foi isso o que exatamente ocorreu com Tommy Williams (Gil Bellows), por chegar a Shawshank sabendo quem foi o verdadeiro assassino da esposa de Andy Dufresne e seu amante. Informação que poderia de libertá-lo, mas que batia frontalmente contra os interesses de Norton.

Em nenhuma das cenas será possível assistir Norton portar qualquer tipo de arma, exceto a que guarda na gaveta de sua escrivaninha, que lhe será de muita valia no final. É a Bíblia que lhe confere poder de dominação sobre os demais, tanto quanto se ostentasse um revólver como seus guardas. E é ela o primeiro elemento da cela de Andy captado pela câmera de Darabont, quando do início de uma revista inesperada. Ela encontra-se aberta em suas mãos, sendo aparentemente lida (seguramente, antes de Shawshank, a Bíblia nunca deve ter feito parte de suas leituras, e só passou a sê-lo porque ele, inteligente, logo entendeu que era uma forma de se aproximar de Norton). Ela é também a primeira coisa notada por Norton, quando ele olha para o prisioneiro. Em seguida a sua entrada, os guardas em formação milimétrica (à maneira militar), caminham rapidamente em direção à cela a ser revistada. Captado em primeiro plano, Norton diz que a revista será feita a procura de objetos de contrabando, armas de fuga ou quaisquer outras coisas que sejam proibidas pelo regimento da prisão. Na verdade trata-se de um pretexto para que Norton estude o ambiente de Andy, como o desenvolvimento do filme demonstrará.

E aqui, neste ponto, volto a chamar atenção para outra observação interessante, esta sobre a sequência na cela de Andy. Durante a revista os guardas, que destroem tudo em seu interior, são filmados sob um ângulo inferior  a câmera fica abaixo do nível dos olhos, recurso técnico conhecido no meio artístico como contra-plongée, que permite ver a ação de baixo para cima, saiba mais no link: Plongée e contra-plongée: a arte de medir com a câmera. Esta tomada é muito usada para criar a ilusão que torna o personagem maior (às vezes no sentido de importância) do que de fato ele é, ou dar uma dimensão mais intensa ao que está sendo filmado, principalmente do ponto de vista psicológico — Spielberg utilizou este recurso em algumas cenas de E.T. - O Extraterrestre (1982), quando as crianças olhavam para os adultos. E é assim que os guardas aparecem na tela, como destruidores, pessoas hierarquicamente superiores, que subjugam os outros (no caso, os prisioneiros).

Com relação ao diálogo ocorrido entre os dois personagens, Andy e Norton, durante a revista, aparecem mais duas memoráveis citações bíblicas com uma implícita mensagem. Norton o questiona sobre suas atitudes dentro da prisão, e qual seria seu versículo favorito da Bíblia, ao que Andy prontamente responde com a citação do verso do livro de Marcos 13:35

- "Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa." 

Ao que Norton, valendo-se também do Livro Sagrado, responde prontamente com o versículo de João 8:12

- "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida."

Quem me segue não andará em trevas.
Vejamos quais mensagens subliminares estão contidas nos diálogos acima. Se desviados da esfera religiosa, não passam de um enunciado comum entre dois interlocutores. Deslocados porém, de sua posição discursiva inicial (Discurso Religioso), os versos utilizados pelos dois personagens, que a princípio parecem discorrer sobre a Bíblia, na verdade estão se referindo a todo um contexto no qual o personagem de Andy se utiliza do enunciado bíblico para deixar claro que dentro daquela casa (a prisão), é de suma importância estar atento aos movimentos de todos, principalmente os dele, Norton, no caso o “Senhor da casa” (a revista foi de surpresa). Aqui soando como expressão dêitica; pois, pode ser entendida de duas formas: a primeira, como clara referência à figura de Deus; e na segunda, o que se vê é a substituição da figura de Deus pela do diretor Norton.

Por seu turno, Norton, neste momento, evoca para si as palavras como se um personagem bíblico ele fosse, e através desta comparação entre si e Deus, reitera que “É a luz do mundo”, ou seja, ele é a luz daquela casa (dentro daquela unidade prisional), a única lei. Portanto, declara: “Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. Logo, aqueles que obedecerem às suas regras básicas sejam elas, de fato, legais ou não (pouco importa), terão a luz da vida. Significando ali que terão a sua proteção, sua aprovação dentro da prisão. O que de fato aconteceu com Andy durante sua estada — por suas habilidades como contador.

Permitam-me, por ora, interromper esta análise dos aspectos bíblicos (religiosos), para focar outros pontos que também merecem consideração.

Como ignorante de carteirinha que sou, não li o conto de King, só posso, portanto, discorrer sobre a qualidade (perfeição) do roteiro de Darabont. Em suas duas horas e vinte e dois minutos de duração, em momento algum Darabon perdeu o fio da meada da ação; mesmo considerando a alta complexidade em dirigir os numerosos personagens de seu elenco. Ele foi capaz de narrar sem perda de intensidade ou brilho em seu ritmo as duas décadas em que vão envelhecendo e tombando esgotados ante o feitiço das frias paredes de pedra da enorme prisão, segundo palavras do próprio Red. Também em relação às atribuições próprias de uma boa direção (condução dos atores nas encenações), Darabont revelou-se um veterano, um artista consumado, um grande cineasta para tarefas complexas como o encerramento, o ritmo e a atmosfera, que são meras questões de elegância e humildade.

Continuando a discorrer sobre este grande cineasta, agora quanto à condução de sua câmera, como a leveza dos movimentos, as angulações, os enquadramentos, etc., não exagero ao afirmar que foi um perfeito artesão. Tão genial (ouso dizer) quanto Michelangelo o fora na Renascença com seu cinzel. Conseguiu construir com habilidade uma linguagem visual tão bela quanto Hitchcock, outro gênio, que tornou o espectador não só um feliz refém de suas imagens mas também cúmplice dos sentimentos de seus personagens. Uma dessas imagens é o magnífico 'Plano Geral' (tomada realizada com ângulo bem aberto, normalmente usada para exteriores, na qual a câmera capta o cenário à sua frente com o personagem ocupando espaço muito reduzido na tela — saiba mais no link: Planos de tomada no cinema) Nele, a câmera sobrevoa a prisão de Shawshank mostrando toda sua extensão, deixando a entender que aqueles muros guardam um mundo particular com seu código de ética e disciplina. Emfim, situando o espectador ao apresentar-lhe a prisão. O plano começa com a tomada da porte de entrada, de baixo para cima, por meio da qual ela nos introduz dentro daqueles muros, deixando claro a inutilidade da mesquinhez e orgulho do ser humano frente a frieza e força das pedras que formam aquelas paredes inexpugnáveis. 

Após mostrar Andy ouvindo a ópera de Mozart, sentado com suas mãos atrás da cabeça,, a câmara se desloca
para o pátio e demais dependências do presídio mostrando o espanto de todos com o que estavam ouvindo.
Outra tomada fantástica realizada por Darabont (imagem acima), foi a que elaborou para o que ficou conhecido como a "cena da ópera". Ela incia com Andy achando um vinil As Bodas de Figaro, de Mozart, a mais italiana e a mais lírica das óperas do compositor. Aproveitando que o guarda entra no sanitário, ele o tranca por fora, coloca o vinil para tocar, liga o amplificador e permite que a ária com o som das cantoras chegue por todo o presídio, alcançando ouvidos mais acostumados com choros e ranger de dentes. 


Sempre que assisto a este grande filme, acredito sinceramente que ele não foi apreciado como realmente merece, ou devia por alguns setores da crítica. Não obstante estar bem colocado na maioria das listas de melhores, e em primeiro lugar no ranking do aclamado site IMDb (Ranking-IMDb”). E para dar crédito ao que acabei de afirmar, segue uma lista de 100 bons filmes em que ele nem mesmo consta. Trata-se da publicação Bravo! 100 Filmes Essenciais list, de 2007, da revista Bravo (certamente um cochilo imperdoável). Mas para que existem as listas se não para polemizar, não é mesmo? Se “Um Sonho de...” fosse um filme dos anos 40 ou 50 (e poderia muito bem tê-lo sido, já que em nada fica devendo aos grandes filmes daquele período) ombrearia hoje em popularidade com obras como Crepúsculo dos Deuses (Wilder, 1950) ou Onde Começa o Inferno, também conhecida por Rio Bravo (Hawks, 1959). O filme de Frank Darabont viaja em latitudes similares às obras acima citadas. A pegada emocional e o golpe provocado por suas imagens concorrem com elas. 

Finalmente, transcorridos longos e amargos anos, Red recebe sua liberdade condicional indo morar por um tempo no mesmo local que seu colega Brooks Hatlen (interpretado pelo lendário e já falecido James Whithmore) cometeu suicídio. Depois de viver pouco tempo no local, decide violar sua condicional e se dirigir em direção a árvore que seu amigo Andy deixou-lhe uma carta. Sequência que possui um significado maior do que parece ter, sob a (plácida e serena) aparência da imagem de Red aproximando-se da árvore em uma das cenas mais comoventes do filme: o homem caminhando atrás da esperança após anos de amargura finalmente recobrada, talvez nunca desaparecida, porém sim ignorada. Se revela assim o verdadeiro poder do cinema: algo, que alguém já o disse, que a imagem contém seu verso e reverso, e que o primeiro se explica no segundo e vice-versa. Culmina aí a viagem através do inferno da prisão de dois homens, tão vivos e reais que assusta vê-los.

Mas não será perceptível essa esperança sem antes darmos a merecida atenção ao breve episódio (como se fosse um magistral curta-metragem contido no próprio filme), no qual Brooks é libertado depois de cinquenta anos. Um episódio que se assiste carregado de emoção ao testemunhar a que ponto pode chegar o abandono (a solidão) e desespero do ser humano, especialmente quando se é velho e esquecido. Filmado sem nenhum vestígio das costumeiras manipulações melodramáticas (usualmente utilizadas pelos cineastas com único objetivo de gerar lágrimas gratuítas) ou lugares comum. Apenas a realidade nua e cruel, constatada por meio de uma vida brutalmente desperdiçada. Pouquíssimas vezes no cinema testemunhou-se o milagre da dignidade humana tão bem representada em seus últimos dias de existência, como na vã esperança de Brooks que o pássaro, que no cárcere com ele conviveu por tanto tampo, o visite já solto e pudesse lhe dizer olá! Mas este tipo de milagre só pode acontecer quando se tem o privilégio de contar com um grupo de atores dessa envergadura, entre os quais dois gigantes como Tim Robins e Morgan Freeman, que recebem curiosamente o Oscar em dois filmes de Clint Eastwood. O primeiro por seu desempenho em Sobre Meninos e Lobos (2003), e o segundo por Menina de Ouro (2004).
Mas Darabont soube reunir também uma equipe técnica de primeira linha. Nela, está o competente editor Richard Francis-Bruce (saiba mais sobre o assunto em: Edição, corte ou montagem), que faz maravilhas temporais e rítmicas nesta que é uma longa história. Outro membro dos bons é o Diretor de Fotografia Roger Deakens, um parceiro habitual dos Coen (Ethan Coen e  Joel Coen), de Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), que aqui assina talvez seu melhor trabalho. Além deles, Thomas Newman, outro gigante, foi responsável pela trilha sonora sem a qual seria mais complicado entender esta obra-prima. Quanto a história na qual se baseou, Darabont chegou a afirmar que "chegará o tempo que Stephen King será como o Dickens do nosso tempo", (exageros à parte, apesar de admirar muito seu talento). Mas não será necessário passar muito tempo mais para considerar este grupo de fenomenais profissionais como o que são, fenomenais, como esta obra única. Independentemente de tudo o mais, porque fala do homem à altura dele como ser humano sem perder-se jamais nas veleidades tão propenso que é a não respeitar nem a si próprio.
Unidos, embora status social tão distinto.
O drama é narrado em off a partir da perspectiva do personagem interpretado por Morgan Freeman, e gira sobre a amizade que se desenvolve entre duas pessoas de diferente status social, unidos por suas experiências no cárcere. Embora todas as qualidades que o filme possui, não consegue escapar de clichés e estereótipos maniqueístas, mesmo que alguns até mesmo sensacionais e educativos. Seus personagens são típicos de uma prisão, com as costumeira situações de crueldade, abuso físico e comportamento corrupto em diferentes níveis contrastando com atitudes nobres. Sua história, que se apóia em um condenado injustamente por uma falsa acusação, tem méritos pela dimensão humana de seus personagens principais em um contexto de solidariedade, ou adaptação, com interpretações serenas de ambos, Freeman e Robins, e o equilíbrio em sua exposição narrativa.

É curioso que Darabont voltaria em 1999, portanto apenas quatro anos mais tarde, para uma nova experiência prisional com À Espera de um Milagre, outro filme virtuoso de raiz literária também baseada em conto de Stephen King. Igualmente um especial e improvável vínculo de amizade, com singular ligação em um momento social pouco propício à mesma. Também com os mesmos clássicos sinais do filme anterior, desta vez não com os posters representando os períodos de tempo, e que ajudaram Andy a escamotear o buraco (e aos espectadores entender a passagem dos anos), mas músicas dos filmes anos 30 estrelados por Fred Astaire Ginger Rogers, Assista uma destas jóias no Youtube no link Cheek to Cheekem que Fred canta dizendo que está no céu. Um daqueles "momentos 10", mágicos, como só o cinema pode produzir.

Os três posters na sequência cronológica em que colocados por Andy.
Fugindo do inferno
Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. - Êxodo 14:15

Há sempre um momento, certo e crítico, no qual um ser humano decide que chegou a hora, que não deve mais adiar determinada decisão e tem que enfrentar a própria escolha e seguir por um caminho novo. Andy tinha tudo planejado há muito tempo, mas foi a triste descoberta que seu trabalho transformador de vidas em Shawshank teria sempre que enfrentar os obstáculos do poder absoluto e invencível do sistema existente dentro daqueles muros, que o faz saber que a hora de pular fora chegara. Assim, depois de ver suas esperanças de justiça destruídas pelo corrupto e cruel Norton com a eliminação da única testemunha que poderia provar sua inocência e proporcionar-lhe um novo julgamento, ele toma a decisão capital. Põe em prática um engenhoso plano de fuga levando consigo todo o dinheiro do diretor, por ele mesmo Andy lavado. Ele escapa por um túnel que saia de sua cela, o qual passara quase vinte anos cavando com um pequeno martelo de pedras, e cuja entrada foi escondida pelo poster de três belas mulheres, correspondendo em suas épocas, simbolicamente, à passagem do tempo – o primeiro deles de Rita Hayworth, seguida por Marilyn Monroe e Raquel Welch.

Sua saída rastejando pelo esgoto até surgir fora dos muros é emocionante. A mesma chuva que o ajudara na fuga a libertar-se dos grilhões que o prendiam àquele lugar, encobrindo o ruído enquanto quebrava o cano do esgoto, se transforma literal e metaforicamente no batismo de água limpa, batismo que ele recebe de corpo, boca e braços abertos e que separa o velho Andy do novo homem que acabava de surigir.

Andy surge para a liberdade depois de ...
Retomo, então, neste ponto, para finalizar a análise dos aspectos bíblicos (religiosos) contidos no filme. 

A fuga é o ponto alto do filme, Quando atinge seu clímax. A ação se inicia com uma tomada em close up da imagem de um jornal de grande circulação na cidade. Nele está uma reportagem sobre o escândalo em Shawshank, envolvendo sonegação de impostos e lavagem de grandes somas de dinheiro por parte do diretor e alguns de seus colaboradores. É o instante que Norton descobre que a fuga de Andy resultou na exposição de todos os seus crimes, Ironicamente, a câmera capta em mais um close up outra mensagem bíblica que se encontra em um quadro acima do cofre, em sua sala, que diz: 

- "O julgamento do Senhor vem antes do que imagina." 
Norton descobrindo que o julgamento do Senhor chegou.
A relação de sentidos em outra expressão dêitica, "do Senhor", é clara. Ela traz em si duas interpretações possíveis: a primeira, a que se refere especificamente ao julgamento “do Senhor” (ou seja, o julgamento de Deus virá logo); e a segunda, onde a figura do diretor aparece como um interlocutor do enunciado, sendo advertido da seguinte maneira: “o seu julgamento, senhor diretor, virá logo”.

Desta forma, aquele que pode parecer inicialmente a representação de uma figura de autoridade reproduzindo o discurso bíblico, transforma-se em seu grande contraventor, pois ele, que a princípio simbolizava a integridade de caráter e a deferência religiosa (sobretudo no que se referia ao nome de Deus), no final do filme sofre a maior penalidade tendo em vista sua culpa nas mais variadas modalidades de crimes como: lavagem de dinheiro, recebimento de propina e o assassinato de um detento. Portanto, todos estes crimes bem como a mentira e a falsa identidade o desautorizam totalmente a evocar as palavras de Cristo, ou as de um “eu bíblico”. Apropriando-se deste discurso, acabou por incorrer na maior falha que combatia veementemente, a blasfêmia ao nome de Deus, sendo julgado e condenado por isso.

Através de uma tomada em primeiro plano (e como já explicado, também conhecida por close-up’ ou “close”), é possível observar a expressão perturbada de Norton ao se dar conta de que não havia saída para sua situação, pois, com a traição de Andy restaram-lhe poucas alternativas; o julgamento de Deus estava a galope. Ao abrir o cofre, em profundo estado de tensão, Norton encontra na Bíblia deixada por Andy a resposta para como o martelo sobreviveu às revistas na cela. Recortado dentro do livro está um buraco onde a ferramenta se encaixa perfeitamente. Este fato está ligado à frase que aparece tanto em uma cena anteriormente analisada, quanto nesta:

- "A salvação vem de dentro."

A salvação de Andy, sua fuga, foi proporcionada pelo pequeno martelo escondido dentro do Livro Sagrado que, para o diretor, estava acima de qualquer suspeita. Assim, realmente a salvação veio de dentro da Bíblia, mas não de seu conteúdo Divino (se é que me entendem), dela como um livro, um um objeto apenas. No entanto, quando aplicada pelo diretor Norton, na cena anteriormente analisada esta frase estava mais ligada à função de Shawshank como instituição de reabilitação do indivíduo criminoso. Então, a salvação viria de dentro da instituição. 

E tem mais: observem a imagem da Bíblia ao lado novamente com mais atenção. Ela mostra em detalhes duas coisas: primeiro, o contorno do pequeno martelo, supostamente utilizado por Andy para esculpir pedras, mas que na verdade tinha uma missão mais arrojada e importante, a de possibilitar sua fuga; segundo, a escolha da página não foi obra do acaso, foi cuidadosamente escolhida por Andy (um detalhe que passa despercebido ao espectador menos atento — a grande maioria, não é mesmo). O livro está aberto em Êxodo. Este fato, que a princípio parece simplório, pode levar a uma série de interpretações possíveis, dado o discurso religioso que o mesmo evoca. Êxodo, o segundo livro do Antigo Testamento, e um dos que compõem o Pentateuco judaico, dá continuidade à narrativa iniciada em Gênesis, que relata o início da escravidão do povo de Israel no Egito, culminando com sua posterior libertação do cativeiro.

Como de resto tudo o mais está muito carregado de simbolismos, é razoável portanto, admitirmos também que a salvação de Andy não veio apenas do buraco aberto, mas sobretudo de sua força interior, de seu espírito de luta e de sua enorme perseverança em cavar um túnel de quase 400 metros para alcançar a liberdade.

Observados estes enfoques, não é difícil enxergar uma relação entre o livro Êxodo e a cena da constatação da fuga de Andy. Nela, Norton observa a Bíblia com o martelo em seu interior, o objeto que possibilitou a evasão, marcada exatamente naquele livro (conhecido como já abordado,  por descrever a árdua saga do povo de Israel durante os quarenta anos, a fuga do Egito e a travessia do deserto para Canaã, a Terra Prometida, em Êxodo 14:15 - “Então, disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.”

Impressiona o paralelo que se pode estabelecer entre a fuga de Andy e a do povo Hebreu que, obviamente, guardadas as devidas proporções, enfrentaram obstáculos semelhantes como por exemplo o cativeiro, e, por consequência, a privação da liberdade; a presença de um líder tirano num regime déspota, isto é, para os israelitas, a figura do Faraó, para Andy a figura do Diretor de Shawshank. Vale lembrar que a fuga tanto do povo como do personagem não foram conseguidas com facilidade, posto que Andy levou cerca de 20 anos para escavar o túnel que seria sua porta para a liberdade, e o povo hebreu, segundo a Bíblia, vagou cerca de 40 anos até que alcançasse a Terra Prometida.


Com o transcorrer do filme fica claro a inocência do personagem central, em sua saga na busca de dois objetivos: primeiro sua sobrevivência dentro daquele local; segundo, sua luta pela liberdade. Afinal, como ele mesmo reproduz em uma de suas falas, até aquele momento (seu encarceramento) nunca havia transgredido nenhuma lei, se tornando, irônica e paradoxalmente um bandido no momento em que entrou naquela penitenciária, por ter sido obrigado a roubar e sonegar impostos do Diretor Norton.

Saiba mais sobre Um Sonho de Liberdade, no IMDb: link abaixo:
Um Sonho de Liberdade 
The Shawshank Redemption (original title) - 1993
16 | 2h 22min | Crime, Drama 


Director:

 

Writers:

  (short story "Rita Hayworth and Shawshank Redemption"), (screenplay)

Um Sonho de Liberdade Poster




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