sábado, 14 de abril de 2018

PLEASE, SAM. PLAY IT AGAIN!

Uma canção imortal, que o mundo inteiro ainda canta   


Não deve existir uma vivalma, que não tenha ouvido, assobiado ou cantarolado uma vezinha sequer As Time Goes By.



You must remember this
A kiss is just a kiss,
a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
"
Essa canção faz parte do repertório de praticamente todo intérprete que se preze. Mas foi pelo piano e voz de Sam - Dooley Wilson (1886–1953), que tocava piano no Rick's Bar, em Casablanca, que ela foi eternizada. O mágico momento ocorreu quando ele a cantou para Ilsa Lund, personagem de Ingrid Bergman (1915–1982), uma das estrelas mais lindas que já foram filmadas. A canção, composta por Herma n Hupfeld, está entre as mais belas que já fizeram parte da trilha sonora de um filme. Ao canta-la, Dooley proporciona-nos um daqueles momentos deliciosos  que o cinema proporciona. O mais interessante da cena, quando Ilsa pede a ele que cante, é que ela não possui uma das frases mais famosas do cinema, pois nunca foi pronunciada. Não existe Ilsa solicitando a Sam: "Play it again, Sam!", como muitos acreditam. Na verdade, o que Ilsa pede a Sam é: “Play it, Sam. Play As Time Goes By”. E mesmo quando Rick - Humphrey Bogart  (1899–1957), pede para Sam tocar essa música, ele diz apenas: “You played it for her, you can play it for me”.

Mas não importa, é mero detalhe. O que marcou a frase que nunca foi dita, é que ela é lembrada por todos. São aquelas coisas que fazem o cinema ser mágico, eterno, um momento 'nota 10'.  

Saiba mais sobre o filme consultando o site IMDb, clicando no link abaixo

A FAMOSA CENA DO CHUVEIRO EM PSICOSE

O mestre do suspense exibe seu talento 

Clássico insuperável do suspense, Psicose está entre os filmes mais ousados, cultuados e cujas inovadoras estão entre as mais plagiadas da história do cinema.

Sir Alfred Hitchcock (1899–1980), consagrado como o ‘mestre do suspense’, construiu ao longo de sua vida no cinema um currículo de dar inveja. É dono de uma obra excepcional, recheada de obras primas que se tornaram grandes clássicos. Seus filmes influenciaram, influencia e ainda influenciará muitas gerações de cineastas. Uma de suas várias obras primas é Psicose, e foi realizada pelo mestre logo depois de Intriga Internacional. Com Psicose (1961) após a recusa dos estúdios, por não acreditarem na produção, para seguir em frente com o filme foi obrigado a lançar mão de recursos próprios, bem modestos, com a penhora de sua casa. Recurso esses bem inferiores aos filmes financiados pelos estúdios e inclusive também aos das produções de TV da época. Exceto por ele, ninguém, nem mesmo sua esposa que o ajudava nos roteiros e seu distribuidor, poderiam prever o sucesso que alcançaria. Um êxito retumbante!

Hitchcock comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, com o qual construiu o roteiro do filme. Para isso, pagou a bagatela de 11 mil Dólares, e depois - sacada genial, provando que era também um hábil homem de negócios - comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, seu final não fosse revelado. Um lance genial, não é mesmo? O filme custou 800 mil Dólares e faturou 60 milhões nas bilheterias do mundo inteiro. Um valor absurdo para a época.

Marion Crane – Janet Leigh (1927–2004), é funcionária de um escritório na cidade de Phoenix, que recebe do chefe a incumbida chefe de depositar uma grande soma de dinheiro (cash). Ela vê-se, porém, tentada a roubá-lo, e decide sair da cidade evadindo-se pela estrada. Por causa da chuva incessante para num pequeno e decadente motel de beira de estrada, que tem ao lado uma casa sinistra. Seu proprietário, Norman Bates – Anthony Perkins (1932–1992), um perturbado rapaz, a recebe tímido e gaguejante. Tem início desde então a sequência de tomadas que culminou com uma das cenas mais fortes, sugestivas e famosas em toda a história do cinema. Com uma estrutura narrativa genial, uma de suas marcas registradas, o filme tem na famosa sequência do chuveiro uma das mais espetaculares e conhecidas do cinema. Nela, de certa maneira era revolucionária para sua época, o mestre do suspense mata a atriz principal utilizando-se de um recurso pouco comum, mas que causou estupefação. A técnica que o mestre usou para filmar a brutal sequência e poder assim burlar a censura, estabeleceria um novo nível de aceitabilidade para a violência, desvios de comportamento e sexualidade nos filmes americanos.

Em 1992 a Biblioteca do Congresso considerou Psicose "cultural, histórica e esteticamente significativo", selecionando-o para preservação no National Film Registry. Psicose ocupa o 34º lugar na lista Top 250 filmes do IMDb.

Saiba nais sobre esse grande filme, clicando abaixo no nome do filme (IMDb):

domingo, 5 de junho de 2016

SE MEU APARTAMENTO FALASSE

O virtuosi das imagens, pinta um quadro brilhante e melancólico da solidão humana    

Dono de um enorme talento, Billy Wilder, um dos mais consagrados e cultuados cineastas de Hollywood, aborda com rara sensibilidade nessa obra prima da comédia dramática, a questão da solidão que tem afligido o ser humano ao longo dos séculos. Alternando amargura e momentos do mais refinado humor o filme fala sobre esse antigo mal, que parece ter afiado suas garras ainda mais a partir do século XX, com equilíbrio perfeito entre o trágico e o cômico. Wilder aborda outros temas que ainda eram verdadeiros tabus na puritana sociedade americana nos anos 60, como o adultério e a relação da mulher no trabalho. Não bastasse esse caldeirão efervescente, ele faz também uma crítica mordaz à engrenagem capitalista para se vencer na vida a qualquer preço, custe o que custar. 


A 'Era de Ouro'
Toda época tem sua moral dominante, que não deriva nem da religião nem da filosofia, porque a moral é a soma dos preconceitos da coletividade. - Anatole France

Acredito, que os leitores mais curiosos devem estar se perguntando qual motivo leva um blogueiro a comentar filmes de 50 ou mais anos atrás. A resposta é bem simples: sua indiscutível qualidade, além, é claro, do grande prazer de poder escrever sobre eles. Foram obras produzidas nos anos mais férteis da indústria do cinema. Hollywood fervilhava... e sobrava talento em todas as suas áreas. Eram cineastas, produtores, roteiristas; diretores de edição, fotografia, musica, som e efeitos especiais − mesmo se considerarmos as limitações tecnológicas disponíveis na época. Hollywood produziu centenas de filmes que se tornaram clássicos imortais. Obras magníficas que resistem até hoje à devastadora ação do tempo, unicamente por suas qualidades. Não envelhecem. Conseguem manter o mesmo frescor e fascínio da época de seus lançamentos. 
Além do motivo acima, procuro escrever também pelo desejo de chamar a atenção das gerações mais novas para um tipo de cinema que se tronou raro, muito raro hoje em Hollywood. Gerações essas, que suponho devem estar entediadas de tanta mediocridade. Ninguém suporta mais a febre dos remakes, franquias infindáveis, corridas malucas e produções recheadas de efeitos especiais nonsense. Talvez se justifique aí um dos motivos para o sucesso de novidades como Netflix. As pessoas estão cada vez menos dispostas a sair do conforto de seus home theaters e enfrentar o desconforto das filas para ver tiroteios e corridas malucas.
Essa época que ficou conhecida como a "Era de Ouro", compreende o período entre as décadas de 30 a 40. Eu, humildemente, estenderia o período à década de 50 e, sendo ainda mais ousado, até a de 60, quando reinou cineastas do calibre de um Alfred Hitchcock (1899-1980), John Ford (1894-1973) e muitos outros, além do próprio Billy Wilder (1906-2002), para ficar só nesses – a lista é grande. Naquele período, as técnicas de produzir filmes tiveram grandes avanços devido às contribuições desses talentosos cineastas. No final dos anos 40, a produção em Hollywood permaneceu febril e sob forte influência da Era de Ouro, chegando ainda muito forte até meados da década de 1960. Por isto, por conta e risco, ouso estender aquele período, mas talvez não necessariamente com o glamour do nome "Era de Ouro". As gerações de cineastas que se seguiram foram grandemente influenciados, e se utilizaram largamente das técnicas desenvolvidas naquele período. Na verdade, as utilizam ainda até hoje. Gostaria de citar aqui algumas das centenas de produções daquele período que viraram clássicos: No Tempo das Diligências (1939), Casablanca (1942) e A Felicidade Não Se Compra (1946). E do período que considero ainda pertencente à Era de Ouro, cito: Juventude Transviada (1955), Rastros de Ódio (1956), A Ponte do Rio Kwai (1957), Psicose (1960), Amor, Sublime Amor  (1961), Lawrence da Arábia (1962), A Noviça Rebelde (1965), Três Homens em Conflito (1966), além do filme sendo comentado.

O cinema e a solidão humana'
Todo inferno está contido nessa única palavra: solidão. - Vitor Hugoa

Eu Sou a Lenda também retrata a solidão humana, e em uma
de suas formas mais cruéis.
Apesar de todos afirmarem que é o grande mal do nosso tempo, o cinema a vem retratando desde seu início, e que para Schopenhauer “é a sorte de todos os espíritos excepcionais”. Para Martin Heidegger, outro filósofo alemão, a solidão é o estado inato do homem. Cada ser está por si só no mundo. Assim, cada indivíduo nasce sozinho, vive suas experiências pessoais também desta forma e morre na mesma condição. E isto por mais que esteja sempre cercado de outras pessoas, pois ninguém pode vivenciar seu aprendizado. Cabe a cada um enfrentar sua própria travessia. Para a psicologia, a solidão é um sentimento no qual um indivíduo sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. É uma condição interior do homem, uma sensação de carência absoluta, de um objetivo ou um desejo, que sempre se desloca, gerando na alma esta percepção da falta.

Sociologicamente pode-se afirmar que a solidão é fruto da marginalização social, portanto ela pode ser coletiva (quando um determinado evento afeta um grupo ou uma nação, por exemplo), ou individual. Porém, a sensação é a da exclusão da sociedade convencional, por inadaptação ou pela recusa em seguir determinados parâmetros socialmente estabelecidos. De acordo com psicologia quem não consegue conviver com seus semelhantes é, de certa forma, expulso do meio e assim se sente sozinho.

Como dito acima, o cinema desde sempre se interessou em abordar a solidão humana. E na maioria das vezes, seus roteiristas procuraram a consultoria de especialistas da área ou basearam-se na literatura existente sobre o tema, para tentar retratar nas telas, o que talvez seja a maior das carências humana: o afeto. Muitos desses livros que lhes serviram de base para escreverem seus roteiros o foram por conta de sua abordagem poética em relação a solidão. Entre eles está o famoso clássico Robinson Crusoé, publicado em 1719, de Daniel Defoe. O livro, uma autobiografia fictícia do personagem-título, narra um náufrago que passou 28 anos sozinho em uma remota ilha tropical. Teve várias versões no cinema, e a primeira, creio, foi As Aventuras de Robinson Crosué (1902), de Georges Méliès (1861-1938), Crusoé, único sobrevivente de um naufrágio, é levado pelas ondas até uma deserta e remota ilha. Nela, além da extrema solidão, enfrenta todo tipo de desafios impostos por uma natureza selvagem. Crusoé, então, se vê forçado a lutar contra os tormentos da própria mente, para manter-se à salvo da loucura.

Em Náufrago (2002), o personagem Chuck, após sofrer uma inesperada
experiência que o leva a vivenciar solidão., cria um amigo imaginário.
Outra obra que tratou do tema, e parecida com a anterior em muitos aspectos, foi Náufrago (2000), dirigida por Robert Zemeckis (1952-.). Nela, o inspetor Chuck Noland vivido por Tom Hanks (1956-), sofre um acidente aéreo e fica preso por quatro anos numa ilha completamente deserta. Para não ficar 'lelé da cuca', Chuck cria um amigo imaginário chamado Wilson, personificado em uma simples bola de basquete − uma bela jogada de marketing, não acham? Inteligente, sabe que precisa lutar pela sobreviver física e emocionalmente, para que não esteja insano quando a oportunidade de retornar à civilização surgir. Assim, age como se a bola fosse o interlocutor de suas conversas e receptor de seu afeto. E por último, menciono a grande depressão de 1929, esse um exemplo do mundo real, que teve a solidão como pano de fundo para muitos filmes em Hollywood.

Nesse último exemplo já estamos falando de causa real e de outro tipo de solidão: a coletiva, provocada pela marginalização social, e gerada pela crise da grande depressão. Muitos sentiram-se excluídos da sociedade naqueles anos.  Os executivos de Hollywood souberam enxergar a indústria do cinema como uma parcela importante na recuperação econômica (royalties), bem como instrumento para a recuperação do moral da população. Por isso, muitos dos filmes desse período deram atenção à aspectos humanistas, enaltecendo os valores nobres. Destacam-se nesse período os filmes do diretor Frank Capra (1897-1991), um dos mais comprometidos com o projeto de recuperação do moral americano. Uma de suas maiores contribuições foi a obra prima A Felicidade Não Se Compra (1946), que será comentada futuramente no blog. Não obstante os filmes produzidos nesse período perderem em recursos tecnológicos para os atuais − somente nesse quesito, é bom que se diga −, eles se destacam em outros tão ou mais importantes, como roteiro excelentes e diálogos inteligentes. Diferem da mediocridade da maioria, por terem privilegiado o lado artístico e não apenas o tecnológico e comercial. Por isso a perenidade de muitos deles.

O frisson dos anos 60
Por que as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo são as o mudam/ Jack Kerouac

Era o início dos anos 60, quando ouvimos de um russo a exclamação que se tornou célebre: 'A Terra é azul!'. Foi pronunciada do espaço pelo cosmonauta Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pelo espaço a bordo da Vostok 1. Apesar de contar com apenas 11 anos na época, lembro-me bem do frisson causado pelo feito, considerado extraordinário. Era 12 de abril de 1961. Assim, a década já começava com mais combustível na fogueira do imaginário de uma juventude que seria conhecida por 'beatnick'. Uma geração que queria se livrar do moralismo rígido e hipócrita da sociedade dos anos 50. Eles eram a expressão remanescente do Sonho Americano, que não conseguia mais empolgar aquela juventude. Mais tarde iria se tonar uma das décadas mais vibrantes, inesquecíveis e invejadas da história.

A frustração com o Sonho Americano chegou cedo para os imigrantes que desembarcaram na ‘Big Apple’, no início do século XX em busca de uma vida melhor. Esse drama é mostrado com crueza em muitos filmes, mas destaco o épico Era Uma Vez Na América (1984), uma obra uma de Sergio Leone (1929-1989). Nela, o grande cineasta italiano mostra a trajetória de um grupo de jovens delinquentes judeus na cidade de Nova York, que, por falta de oportunidades, deixam de praticar pequenos furtos para se transformarem em gangsteres sanguinários e sua reunião posterior, nos anos 1960. 

Acima de tudo, aqueles anos foram vivenciados por uma explosão de juventude em todos os aspectos. Também de energia, excitação, entusiasmo, música e emoção intensa jamais vista. Essa mistura tomou conta de toda aquela geração. Houve influência de movimentos culturais importantes como o rock de garagem, à margem dos grandes astros do rock, que resultaria na 'surf music' e nos movimentos de cinema que ficaram conhecidos por 'cinema de vanguarda. Foram os anos dos Beatles e Rolling Stones.  

Outro movimento importante foi na literatura, capitaneado pelo livro 'On the Road', de Jack Kerouac, lançado em 1957. Kerouac fazia parte da chamada geração 'beat', que começava a se opor à sociedade de consumo vigente. Os ventos das transformações sopravam por todos os lados, e atingiram também a moda que sofreu uma mudança radical. Com o fim da moda única, passou a ter várias propostas e a forma de se vestir se tornava cada vez mais ligada ao comportamento. Foi também uma época maniqueista na qual, influenciado pela Guerra Fria, ou você era comunista ou capitalista, bom ou mau, moça de família ou de má reputação, rapaz bem-comportado ou rebelde, heterossexual ou degenerado e etc.. Assim, pode se dizer que a década de 60 representou no início um desdobramento de projetos culturais e ideológicos alternativos lançados durante os anos 50. É o caso da explosão do consumo ocasionada pela prosperidade dos países ricos. O movimento que na década anterior vivia recluso em bares nos EUA foi para as ruas nos anos 60, influenciando novas mudanças no comportamento da juventude, como a contracultura e o pacifismo do final da década. Ela caracterizou-se também pelo fortalecimento dos movimentos de esquerda nos países do Ocidente, tanto no plano político, quanto no ideológico. 

Mas não só a América, o planeta inteiro se encontrava em ebulição. Um processo de profundas mudanças, tanto culturais quanto nos variados grupos sociais. Alguns historiadores afirmam que os anos 60 estão claramente divididos em duas etapas: a primeira, que vai até sua metade, onde prevalecia uma certa inocência e até mesmo lirismo nas manifestações sócio culturais. No âmbito da política estava claro o idealismo e o entusiasmo no espírito de luta do povo, influência remanescente do pós-guerra. A segunda metade, de 66 até seu final, as coisas começaram a mudar rapidamente, atingindo o clímax em 68 na deflagração da revolta estudantil na França. A partir de 1969 já se percebe o estado de espírito que definiria a década seguinte. O tom começou a subir tornando-se mais duro, surgiram as primeiras experiências com drogas, a perda da inocência, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos. Esta mudança fica claramente refletida nas manifestações artísticas. Como exemplo podemos citar os Beatles, que trocaram as baladas inocentes como Yesterday pela excentricidade psicodélica, incluindo orquestras, letras surreais e guitarras distorcidas como A Day in the Life, que representa bem o espírito das mudanças.

Portanto, os jovens no início da década de 60 sonhavam com um mundo novo, bem diferente daquele que tinham herdado. E demonstraram isso através da rebeldia. No começo, ainda ingênua, inspirada pelo rock dos bem-comportados Beatles em início de carreira. Mas perceberam com o correr do tempo, que as mudanças não eram tão iminentes ou simples assim. Os ventos das mudanças atingiram também a Meca do Cinema. O filme Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966), de Michelangelo Antonioni (1912-2007), fez um enorme sucesso entre a juventude americana. E obrigou consequentemente os estúdios americanos a repensar suas estratégias e contratar uma leva de então jovens cineastas que trouxessem novas ideias, para produzir novos filmes. Especialmente alguns recém-chegados do continente europeu, como Billy Wilder (1906-2002) − Folha Online - biografia

Indicado ao Oscar por 21 vezes, dos quais conquistou nada menos que seis estatuetas, duas delas como diretor. Wilder foi uma das personalidades mais destacadas da história do cinema. Com a ascensão de Hitler em 1933, mudou-se para França e depois para os Estados Unidos. Apesar de não falar nadinha do idioma quando chegou em Hollywood, conseguiu aprende-lo rapidamente com a ajuda do ator Peter Lorre (1904-1964), para ingressar no cinema. 

Como resultado das mudanças ocorridas surgiram produções que dificilmente voltaremos a presenciar. Pois naqueles anos ainda sofria-se, no bom sentido, a influência do período mais fértil do cinema e cujo breve resumo apresentei acima. O país já se encontrava totalmente recuperado da 'depressão' causada pela crise do capitalismo produzindo bons filmes e em quantidade. Havia em Hollywood muitos talentos que apesar de ainda novos, já se encontravam consagrados na arte de dirigir... e um dos maiores era exatamente o diretor de Se Meu Apartamento Falasse.

O ambicioso, a ingênua e o lobo mau
Se um ator entra pela porta você não tem nada. Mas se ele entra pela janela você tem uma situação. - Billy Wilder

Na 33ª entrega do Oscar, em 1961, Billy Wilder viu seu talento ser reconhecido pela segunda vez como diretor, por Se Meu Apartamento Falasse. A primeira foi em 1946, por Farrapo Humano. Mas ao logo de sua vitoriosíssima carreira, Wilder recebeu ao todo 21 indicações, e conquistou nada menos que seis estatuetas sendo duas delas como diretor. Wilder foi uma das personalidades mais destacadas da história do cinema. Com a ascensão de Hitler em 1933, mudou-se para França, e depois para os Estados Unidos. Apesar de não falar nadinha do idioma, quando chegou em Hollywood, conseguiu aprende-lo rapidamente com a ajuda do ator Peter Lorre (1904-1964), para ingressar no cinema. Uma dessas indicações, que não terminaram em Oscar, aconteceu no ano anterior com a comédia ‘Quanto Mais Quente Melhor’ de 1959 – porque a Academia, em um de seus muitos enganos, o negligenciou. Trabalho esse, que é considerado por muitos críticos como a melhor comédia já filmada. Mas, com "Se Meu Apartamento..." a Academia procurou desfazer o erro do ano anterior. E concedeu-lhe uma retumbante vitória, tripla e inédita: três Oscar por escrever, produzir e dirigir o mesmo filme. A última vez que isso ocorrera fora em 1944 com Leo McCarey (1896-1969), por O Bom Pastor. Na época o prêmio de Melhor Filme ainda não era dado aos produtores. O filme ganhou outras cinco estatuetas das oito indicações que recebeu. Entre elas, além das duas mais cobiçadas de Melhor Filme e Direção, estavam a de Melhor Direção de Arte em Preto & Branco, para a dupla Alexandre Trauner (1906–1993) e Edward G. Boyle (1899–1977). 

Se Meu Apartamento Falasse inicia seus 125 minutos de puro prazer com uma tomada aérea da cidade de Nova York. Em seguida, fazendo uso de um ‘plano geral’ – veja mais em: Cinema – Os Planos de uma Cena ou Os Enquadramentos do Cinema – Design Culture – a câmera de Wilder mostra um edifício, para em seguida exibir um de seus andares inferiores onde se pode ver incontáveis mesas e os funcionários anônimos, certamente uma referência de Wilder ao clássico de 1928 ‘A Turba’, de King Vidor (1894-1982), sobre a desumanização do homem moderno, no qual é interessante notar os padrões da sociedade americana de quase um século atrás sobre relacionamentos e relações de trabalho. Enquanto isso, ouvimos a voz de Jack Lemmon (1925-2001), que só tem espaço para estatísticas e na qual o indivíduo não passa de número, dizer o seguinte: "No dia 1º de novembro de 1959, a população de Nova York era de 8.042.783 pessoas. Se você pusesse todas essas pessoas deitadas, enfileiradas, imaginando uma altura média de 1,70 metro, elas chegaram da Times Square até os arredores de Karachi, no Paquistão. Sei desses fatos porque trabalho numa empresa de seguros, a Consolidated Life de Nova York. Somos uma das cinco maiores companhias do país no ramo. Nossa sede central tem 31.259 empregados, o que é mais do que toda a população de, hum..., Natchez, Mississípi. Eu trabalho no 19º andar. Setor de Apólices Comuns, Divisão de Cálculo de Prêmio, Seção W, mesa número 861.”  

O Setor de Apólices Comuns, Divisão de Cálculo de Prêmio, no 19º andar.
onde trabalha C.C. Baxter. Observem que o contraste com uma empresa moderna é evidente.
Nesse ponto, antes de prosseguir, permitam-me chamar a atenção para uma opinião pessoal, para uma categoria de filmes que classifico como diferenciados. E credito como uma das maiores dádivas desses filmes sua capacidade para revelar, tanto a beleza quanto a complexidade dos nossos dramas, através de alguns elementos de sua linguagem, como imagens icônicas e tramas, que tocam fundo nossos corações. São verdadeiros tônicos para a alma, renovam o apetite para viver com alegria, fazendo acreditar que a felicidade até existe apesar das tragédias humanas. Por isso são mágicos, idílicos, criados com o único objetivo de nos fazer sonhar e esquecer a dureza do cotidiano. Nos impelem a refletir e evocar os mais diversos sentimentos, trazendo à tona emoções que podem ajudar a amenizar a dor das muitas feridas que uma vida inteira pode causar. Se fosse preciso definir filmes como esses com uma única palavra, ela poderia ser ‘soberbos’. Cito quatro filmes que se encaixam perfeitamente no que disse, para não ficar enfadonho, entre centenas que o cinema produziu, que se encaixam nessa afirmação, que se tornaram clássicos e inesquecíveis para quem teve o privilégio de assisti-los: A Felicidade Não Se Compra, de 1946; A Noviça Rebelde, de 1965; As Pontes de Madison, de 1995 e por último A Vida é Bela, de 1997. São obras comoventes que falam de amor, esperança e fantasia, que contam histórias que iluminam nosso espírito e incendeiam nossa imaginação. A vida de quem não teve a oportunidade de vê-los antes de partir foi, sem dúvida, menos rica. Incluo nesse ‘currículo de notáveis’ Se Meu Apartamento Falasse. 

Billy Wilder criou uma bela comédia romântica dramática, mas difícil de arrancar risos da plateia sem que se sinta um gosto amargo. Sua trama possui uma combinação de temas que, apesar de terem sido ousados para sua época, foram tratados com maestria por Wilder, ao não carregar no tempero. A fina ironia presente em seus diálogos − marca registrada de seu criador, que cultivava o hábito de denunciar, criticar e censurar os costumes da época – contribuíram muito para justificar um dos cinco Oscars conquistados pela produção. Apesar de sua ingenuidade, acreditem, chegou a ficar censurado por aqui na época de seu lançamento. Os costumes, porém, mudaram − infelizmente para pior em alguns aspectos − e se encarregaram de corrigir esse excesso de zelo daqueles sensores. Suas cenas consideradas mais picantes, se comparadas às exibidas no horário nobre das telinhas globais, são de uma candura angelical, podendo serem vistas nos mais rígidos conventos de freiras franciscanas sem que nenhuma delas fique ruborizada. Apesar de seu conteúdo parecer datado o filme conseguiu manter sua jovialidade ao registrar as relações de exploração no ambiente de trabalho, mais de 50 anos antes de podermos o tema na série Mad Men.

O enredo trata de encontros e desencontros de executivos com suas funcionárias, no modesto apartamento de C.C. Baxter, onde rola as principais cenas do filme. Com a colaboração do roteirista I.A.L. Diamond (1920-1988), Wilder aproveita os primeiros ventos de liberalidade que começavam a soprar na década que hora nascia, para retomar o adultério, um dos temas do filme e que ele havia começado a explorar alguns anos antes em O Pecado Mora ao Lado, de 1955. Também uma comédia, ela foi um dos maiores sucessos de bilheteria da Fox naquele ano. A cena que o jato de ar saindo do respiradouro do metrô levanta o vestido branco de Marilyn Monroe (1926-1962), está entre as mais famosas do cinema, virou ícone. O filme foi o responsável por consolidar de vez o nome da atriz como a maior estrela das telas e símbolo sexual da época. Nele, um editor de livros que se sente ‘solteiro’ com a mulher e o filho saindo em férias, começa a ficar cheio de ideias quando uma bela e sensual modelo que sonha ser atriz, passa a morar no andar acima do seu. 

Baxter, interpretado com brilhantismo por Jack Lemmon, é jovem, solteiro, vive uma cruel rotina e cultiva uma aspiração de subir um dia na hierarquia da empresa. Solitário e ambicioso. tem a sorte − eu diria o infortúnio − de morar sozinho num apartamento, alugado e sem nenhum luxo, bem localizado no centro de Manhattan, nas imediações do Central Park. Vai levando sua vidinha medíocre fazendo seus cálculos, sem maiores contratempos e grandes emoções... mas elas chegarão. Em parceria com seu corroteirista, Billy Wilder consegue criar com simples elementos um texto brilhante, recheado de diálogos inteligentes, trocadilhos e jogo de palavras – pois é, coisas inteligentes não ficam datadas. São predicados que, em boa parte, são os responsáveis pelo charme do filme. Para contar essa história, Wilder recorreu a uma técnica muito utilizada por alguns cineastas, principalmente pelo insuperável mestre do suspense Alfred Hitchcock (1899-1980), que se valia dela para aumentar o suspense em seus filmes. Ela consiste em permitir ao espectador ficar numa posição privilegiada em relação a um dos personagens, recebendo uma generosa dose de informações com o desenrolar da história. Assim, primeiro, Wilder permite que o público saiba que Baxter empresta seu apartamento aos seus superiores, todos adúlteros, para seus encontros amorosos com suas subordinadas; segundo, que Baxter tem uma inclinação pela ascensorista Fran Kubelik, interpretada por Shirley MacLaine (1934-), uma espirituosa e bem comportada (!??) moça.

Baxter representando o conflito essencial entre o sujeito
ao mesmo tampo ingênuo e oportunista.

Com uma formação fora dos EUA − Wilder foi um dos muitos exilados da Segunda Guerra que deram um toque de sofisticação ao classicismo que permeava a Meca do Cinema. Sua educação contribuiu sobremaneira para sua visão crítica e sem pudores das contradições de uma sociedade regida por um puritanismo moral, e movida por exacerbado liberalismo econômico. Essa visão permitiu que mergulhasse na intimidade dessa seguradora, uma típica companhia americana, para revelar a rotina do seu dia a dia com uma trama recheada de corporativismo, favorecimentos, traições, mentiras e acobertamentos. Chamo atenção para o magnífico trabalho de Alexandre Trauner (1906-1996), na Direção de Arte, premiada com Oscar, pela criação em estúdio do escritório da seguradora. Chamo a atenção para o forte contraste existente entre uma empresa daquela época, com a que conhecemos hoje em dia, onde a automação reduziu drasticamente o número de funcionários.
Portanto, não demora muito para o expectador descobre que o personagem é um sujeito com ambições e não é tão inocente quanto parece, ou faz parecer. E é essa sua ambição ,que o leva certa vez a cair na besteira de emprestar seu apartamento a um dos chefes, para uma escapadela amorosa com uma funcionária. Decisão tomada intencionalmente e sempre com a promessa de uma recompensa funcional. Os anos 50, e mesmo os 60, pertenciam a uma época cujos hábitos eram muito diferentes dos atuais. A complexidade de uma aventura extraconjugal exigia habilidade, criatividade e engenharia dos infiéis. Levar uma mulher a um hotel poderia se constituir num fator suspeito, além do risco de ser reconhecido. Não demora muito para Baxter ser acometido por um conflito essencial: a luta entre o bem e o mal. Essa batalha interior vivida por ele, é explorada com sutileza e competência pelo diretor. Pois Baxter é ao mesmo tempo ingênuo e oportunista, mas que no final termina por se redimir tornando-se um bom sujeito. 

O trio fabuloso, que sustenta a trama: o rapaz ingênuo,
a moça recatada e o lobo mau.

Wilder, apesar de sua visão cáustica, não deixa de lado a visão holística, ou seja, a que procura compreender os fenômenos do comportamento humano na sua totalidade, criando sua própria visão da batalha entre o bem e o mal. Ao longo do filme vai questionando os vícios de uma sociedade pautada pela corrupção, ambição, dinheiro e busca desenfreada por posição, custe o que custar. Vícios que, mesmo passados pouco mais de cinquenta anos de seu lançamento, percebemos que em nada mudaram. Seguimos nosso destino cultivando os mesmos vícios de comportamento denunciados pelo filme. 

Outra questão essencial, abordada por Wilder, é a relacionada à solidão do homem e o que se passa no íntimo de sua alma. Mostra seus conflitos, medos e as inevitáveis armadilhas que a vida costuma pregar e como reagimos a elas. No final, a mensagem não poderia ser outra que não a redentora, pois mostra que sempre será possível se redimir, por mais enodoado que se possa estar. Embora o filme apresente situações que fora do seu contexto podem ser ofensivas, sua natureza essencialmente positiva, com o personagem redimindo-se no final, leva-o a ser encarado como uma celebração aos bons valores morais. 

Baxter aos poucos vai descobrindo, que sua opção para progredir profissionalmente tem lá seus espinhos e inconvenientes. Que não seria tão fácil como havia imaginado. Os primeiros percalços começam a aparecer com o fim de sua privacidade, e pioram muito quando descobre-se apaixona pela bela ascensorista e que ela mantem encontros em seu apartamento com seu chefe. Com a técnica utilizada por Wilder durante a primeira metade do filme − já mencionada acima, todo mundo já sabia que a mulher que ele ama está frequentando sua cama com Sheldrake.

Billy Wilder conversando com Shirley MacLaine.
Um dos muitos deliciosos momentos do filme é quando Baxter tenta equilibrar a complicada situação em que se meteu - como a dos famosos pratos chineses. Ou seja, a rotina de entra-e-sai de seu apartamento provocada pelas constantes solicitações dos chefes da seguradora. Como comédia de costumes, Wilder faz uma dura crítica à hipocrisia da sociedade americana, que sempre tentou jogar sob o tapete toda a sujeira de seus bastidores. Mas Wilder consegue fazê-lo com a classe e refinamento do grande cineasta que foi. Entretanto, os tempos são outros, o mundo acordou e talvez essa propaganda já não funcione mais com a eficiência de antes. Os próprios americanos se auto exorcizam em relação à muitos temas, como fizeram em relação às guerras que se envolveram com filmes consagrados como Platoon (1966), Amargo Regresso (1978) e Apocalypse Now (1979),  e mais recentemente com Guerra ao Terror (2008). Há! não poderia esquecer de Nascido em 4 de Julho, de 1989.

Já a srta. Kubelik, alma virtuosa e inocente(??) − nem tanto, afinal sabia que seu amor era casado −, acredita que Sheldrake a ama verdadeiramente e que está prestes a se separar, par, enfim levá-la ao altar. Porém, diferentemente do mundo de sonhos, a vida real tem lobo mau de sobra. Chega o Natal, e na festa da empresa a cândida Fran descobre que a fila de conquistas dos executivos é de dar inveja ao mais astuto playboy. Após uma discussão com ele no apartamento de Baxter, ela tenta suicídio ingerindo vários comprimidos. Ao chegar, Baxter encontra a jovem, pela qual está apaixonado, em estado crítico e apela pela ajuda de seu vizinho, o Dr. Dreyfuss. Sua relação com o médico é outro dos muitos momentos deliciosos do filme, pois esse acredita que o entra-e-sai do apartamento de Baxter, por desconhecer as aventuras dos executivos, se deve à sua vida desregrada de conquistador. Com muita dedicação os dois conseguem enfim salvar a vida da jovem. 

Alternando momentos de alta dramaticidade como os vividos com a tentativa de suicídio, e ótimas situações do mais refinado humor, Se Meu Apartamento Falasse deixa sua marcar como um dos maiores filmes do gênero. Comédia bem ao estilo de Wilder, com um roteiro original de alto nível, diálogos brilhantes, direção enxuta e segura, situações cômicas sem apelar para o pastelão e, de quebra, três grandes atores. A nota a lamentar fica por conta do Oscar de Melhor Ator, não concedido a Jack Lemmon. O ator interpreta um personagem complexo de personalidade ambígua, ambicioso, conivente, explorado e apaixonado. Talvez, mais um dos equívocos cometidos pela Velha Senhora. Reparem, que até o final de Wilder é original: o amor prevalece. Mas nada não se vê o clichê comum nos filmes românticos, que terminam sempre com aqueles costumeiros beijos cinematográficos dos amantes. 


C.C. Baxter, o homem que calculava.
Todo amante de cinema sabe que boa parte das comédias produzidas nos anos 50 em Hollywood, especialmente naquelas dirigidas pelos cineastas J. Lee Thompson (1914–2002), Frank Tashlin (1913–1972), George Cukor (1899–1983) e o próprio Wilder o amor sempre triunfava sobre o sucesso profissional. Cukor era conhecido pela sensibilidade com que tratava temas relacionados com o universo feminino – exemplo foi sua rusga com Clark Gable (1901–1960) pela condescendência com que tratava as atrizes, em especial Vivien Leigh (1913–1967), em ...E o Vento Levou (1939). Cukor era um artesão sutil da comédia e foi sempre um forte concorrente ao Oscar de Melhor Diretor, que acabou por levar em 1964 com My Fair Lady. Em A Senhora e Seus Maridos (1964), de Thompson, depois de se casar com muitos milionários, Louisa May Foster, também interpretada por Shirley MacLaine, termina com Leonard 'Lennie' Crawley, um antigo pretendente, que se une a ela para viver uma vida bucólica numa roça criando galinhas. Já com Tashlin, com o Em Busca de um Homem (1957), um executivo prefere abandona tudo para se dedicar à tranquilidade oferecida por uma vida rural, em detrimento de cultivar rosas, sua mania e realização. Pode se perceber alguma influência, sem, contudo, desmerecer Se Meu Apartamento Falasse, do filme realizado por Tashlin três anos antes. A cena da conquista da chave do banheiro exclusivo, é um grande momento com Tony Randall (1920–2004), que se repete no filme d Wilder. Certamente Wilder e seu corrooteirista, que devem ter assistido ao filme de Tashlin, não há como esconder, se inspiraram no mesmo − um eufemismo para copiaram. 

Encerrando, o ‘happy end’ que sela a cumplicidade do casal é filmado com uma simplória partida de baralho. Por tudo o que vimos, não é por acaso que ocupa a honrosa 24ª posição no BBC - Culture - The 100 greatest American films.

domingo, 13 de março de 2016

JULIE ANDREWS ARRANCA SUSPIROS NOS ALPES

Clássico e trilha sonora inesquecíveis 


Quando todos em Hollywood acreditavam que os anos 60 sinalizavam com o fim dos musicais, assim como os faroestes, eis que surge esta obra prima, magistral e encantadora, derrubando todas as previsões. Levou milhões às salas de cinema no planeta. Seis inacreditáveis meses em cartaz em BH. Por obras como esta que o cinema encanta.   


Existem filmes que são bons, existem aqueles que são muito bons, e os que considero excepcionais. Estes últimos são mágicos, arrebatadores, eternos. Foram realizados para serem vistos durante a vida inteira. Emocionam sempre, caso desta obra inesquecível. E o incrível é que sua história é tão simplória quanto a personagem que retrata: uma aspirante a freira chamada Maria (Julie Andrews), escolhida para cuidar de sete diabinhos,0 filhos de um capitão viúvo da Marinha. Embora teimosa (rebelde), ela consegue conquistar o coração das crianças bem como do durão capitão Von Trapp (Christopher Plummer). Mas, o que mais há no filme? Certamente não é um filme com uma trama cheia de reviravoltas. A explicação para seu sucesso e jovialidade após tantos anos, talvez esteja exatamente em sua simplicidade

s acontecimentos que inspiraram sua realização ocorreram na Áustria entre os anos 20 e 30. A autobiografia de Maria von Trapp relatando esses eventos foi publicada em 1949, e transformada em musical na Broadway dez anos depois por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein. Aí surgiu o filme, o mais popular musical de Hollywood. Ele possui vários momentos mágicos embalado por belas canções, e todos nós já cantarolamos algumas delas, principalmente Dó-Ré-Mi. E quando a ouvimos não há como não associá-la imediatamente à imagem de Julie Andrews cantando no topo de uma verdejante montanha alpina.

Selecionei esta sequência, a primeira cena do filme, quando Maria é apresentada correndo como uma adolescente na montanha. É um dos momentos mágicos do cinema. Antológico. É ver para sonhar, é um 'Momentos 10'.

Saiba nais sobre esse grande filme clicando abaixo, no nome do filme (IMDb):
Fontes consultadas:
American Film Institute - IMDb - Movies, TV and Celebrities 

sábado, 26 de julho de 2014

JAMES GARNER

O cinema perde seu astro com aquele ar de canastrão, simpático e charme especial, para interpretar papéis cômicos

Ele foi o famoso detetive particular com um humor irônico, avesso a armas ou a lutas corporais, que se safava de situações difíceis pela lábia ou com pequenos truques e com uma postura crítica em relação ao trabalho policial

James Garner foi um sujeito que abandonou a escola aos 16 anos para se juntar à Marinha Mercante. Lá exerceu atividades nos mais diversos postos de trabalho, recebendo dois Purple Hearts quando foi ferido duas vezes durante a Guerra da Coréia. O Purple Heart é uma condecoração militar dos EUA outorgada, em nome do Presidente, a todos os integrantes da Forças Armadas que foram feridos ou mortos durante o serviço militar.

Teve sua primeira chance de atuar, quando um amigo arranjou-lhe um papel sem fala na peça The Caine Mutiny Court Martial, em 1954, nos palcos da Broadway. Parte do seu trabalho era ler as linhas para os atores principais, e assim começou a aprender a arte de atuar. O que acabou levando-o a pequenos papéis de comerciais de TV e a um contrato com a Warner Brothers. O diretor David Butler (1894-1979) viu algo em Garner e deu-lhe toda a atenção que precisava, quando ele apareceu em Impulsos da Mocidade (1956). Depois de coestrelar em um punhado de filmes entre 1956 e 1957, o estúdio deu-lhe  um papel de coadjuvante na série western Maverick (1957). Originalmente planejado para alternar entre Bart Maverick (Jack Kelly) e Bret Maverick (Garner), a mostra rapidamente se transformou em o Bret Maverick Show. Como Maverick, Garner foi legal, bem-humorado, simpático e sempre pronto para usar sua inteligência. A série foi muito bem sucedida e Garner continuou nela em 1960, quando a deixou devido a uma disputa por grana.

No início de 1960, ele voltou a fazer filmes, muitas vezes interpretando o mesmo tipo de personagem que tinha feito em Maverick. Seus sucesso incluem Tempero do Amor (1963); Eu, Ela e a Outra (1963); o clássico de guerra Fugindo do Inferno (1963) e Não Podes Comprar Meu Amor (1964). Depois disso, sua carreira parou, e quando voltou a aparecer no filme sobre corridas de automóveis Grand Prix (1966), cometeu o erro de correr profissionalmente. Logo, esta ambição transformou-se em apoio a uma equipe de corrida, mas sem atingir o sucesso alcançado anos mais tarde por Paul Newman (1925-2008). Garner encontraria o sucesso novamente na comédia sobre western Uma Cidade Contra o Xerife (1969). Então, tentou repetir o sucesso com uma sequência: Latigo, o Pistoleiro (1971), mas que não atingiu os padrões do primeiro. Após 11 anos fora da telinha, Garner voltou a ela em um papel não muito diferente daquele feito em Uma Cidade Contra o Xerife. O show foi Nichols (1971), onde interpretou um xerife que iria tentar resolver todos os problemas com sua inteligência e sem arma.

O detetive avesso a armas.
Em 1974, conseguiu o papel pelo qual, provavelmente, será mais lembrado: o irônico detetive Jim Rockford no clássico Arquivo Confidencial, de 1974. A série é sobre um ex-policial, que cumpriu pena por cinco anos acusado de roubo de armas. Ele deixa a cadeia após conseguir o perdão e passa a trabalhar como detetive particular. Com seu um humor irônico – papel que se dava muito bem −, avesso a armas ou a lutas corporais, se safando de situações difíceis pela lábia ou com pequenos truques. Seu personagem, Jim, costumava ter uma postura cínica em relação ao trabalho policial, algo que ele conhecia bem de perto. A série foi ao ar originalmente na rede de televisão NBC, entre 13 de setembro de 1974 e 10 de janeiro de 1980, e ainda hoje pode ser vista na TV americana, pois é considerada um clássico cult por lá. Ela se destacava pela qualidade de seu enredo e pelo charme e carisma de James Garner, que estrelou como Jim Rockford, pilotando seu Pontiac Firebird. A série foi criada por Roy Huggins e Stephen J. Cannell (Huggins é o mesmo que havia produzido a série Maverick, de 1957 a 1962, que quis experimentar a captura dos mágicos dias de um detetive moderno em ação). O memorável tema feito pelos compositores Mike Post e Pete Carpenter recebeu vários prêmios. Esse trabalho tornou-se o segundo grande sucesso da televisão, que lhe rendeu um Emmy em 1977 por sua interpretação. No entanto, Garner se viu forçado a abandonar a série por uma combinação de lesões nas costas e nos joelhos – em parte por ter dispensado dublês nas cenas de ação −, e pela descoberta de que a "contabilidade criativa" da Universal Pictures, não lhe dava participação em qualquer um dos enormes lucros gerados pelo show, o que ajudou a azedar a relação e show terminou em 1980.

Na década de 1980, Garner apareceu em alguns filmes, como Uma Família em Pé de Guerra (1984) e O Romance de Murphy (1985). Para esse último, ele foi nomeado tanto para o Oscar quanto para o Globo de Ouro. Voltando ao western, ele coestrelou com − na época ainda jovem − Bruce Willis (1955-), em Assassinato em Hollywood (1988), de Blake Edwards (1922-2010). Uma história mítica d
o velho e legendário xerife Wyatt Earp, que em 1929 é chamado a Hollywood para servir de consultor técnico de um faroeste em que seu papel será interpretado por Tom Mix.  Earp e Mix tornam-se bons amigos e acabam investigando juntos o assassinato de uma prostituta do bordel local, onde as profissionais se parecem com estrelas de cinema. Durante a década, ele ainda receberia elogios por seu papel no aclamado filme de televisão Selvagens em Wall Street, de 1993, sobre a ganância corporativa. Depois apareceu no "remake" de sua série de televisão Maverick, ao lado de Mel Gibson (1956-).

Saiba nais sobre esse grande filme clicando abaixo, no nome do filme (IMDb):
James Garner (1928–2014)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

OS TOP 250 FILMES DO IMDb

Pesquisa feita entre os leitores do site

Foram computados somente os votos dos eleitores regulares segundo a fórmula abaixo.


Listas nunca são uma unanimidade, ou agradam totalmente, porque por mais que tentem seguir uma métrica, e não existe uma universal, sempre estão atreladas a influências/escolhas estritamente pessoais. Por isto nunca conheci uma lista de 'melhores de qualquer coisa' que não fosse polêmica. E essa do IMDb não é diferente. E talvez seja exatamente esse fato que as torne tão instigantes e desejadas. Todo mundo do cinema, então, essa mania é incontrolável e tem lista para tudo e todos querem fazer a sua.

Click abaixo no nome do IMDB, para ver a lista completa e a posição de seu filme favorito:

O modus operandi

Veja como foi calculado a posição de cada filme

A formulação utilizada pelo IMDB para o cálculo dos Top Rated 250 Títulos dá uma verdadeira estimativa Bayesiana, cuja fórmula da média ponderada é  (WR) = (v ÷ (v + m)) × R + (m ÷ (v + m)) × C
em que:
·         R = average for the movie (mean) = (Rating)
·         v = number of votes for the movie = (votes)
·         m = minimum votes required to be listed in the Top 250 (currently 25000)
·         C = the mean vote across the whole report (currently 7.0)

O campeão


Saiba mais sobre o filme no siye do IMDb, clicando no nome abaixo:
Um Sonho de Liberdade  (1994)


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