domingo, 12 de junho de 2016

CENA DA ÓPERA EM UM SONHO DE LIBERDADE

A boa música amolecendo corações de pedra  ´  

Andy é um banqueiro é condenado à prisão perpétua, acusado de matar sua mulher e o amante dela. Na prisão, conhece Red, o cara que consegue qualquer objeto que se precise, desde que lhe paguem até um pôster da diva Rita Hayworth. Os dois criam uma grande amizade, enquanto ele vai percebendo que a vida ali pode se transformar em um pesadelo num piscar de olhos. Os anos passam lentamente, e apesar de ter que lidar com guardas sádicos, estupradores e um diretor corrupto seu espírito permanece livre e intacto, a ponto de ainda amar uma opera de Mozart.


Um Sonho de Liberdade (1994), o filme de estreia (e o melhor) do cineasta Frank Darabont, é grandioso demais para um obscuro blogueiro seja reducionista afirmando que se trata apenas de mais um bom filme sobre prisão (saiba mais: O Pensamento Reducionista). A obra de Darabont é muito mais que um filme sobre o gênero, é, essencialmente, sobre amizade, no caso improvável entre um branquelo e um negro (improvável para a época), é também fraternidade, redenção, liberdade e ainda oferece uma interessante análise sobre o espírito humano.

Os longos anos e as condições de confinamento dentro de um rígido e cruel sistema prisional, que se assemelhe ao de Shawshank, dobram até mesmo os espíritos mais indômitos, forjados com têmpera do aço. Dentro dele, com o passar do tempo os homens ficam inexoravelmente condicionados e dependentes do Estado. Um estado de espírito esfacelado que os leva a esquecer e até temer o que lhes são mais caro, mais precioso: a liberdade, a vida que tinham quando era um homem livre. Exatamente o que ocorreu com o personagem Brooks, seu colega na biblioteca, interpretado pelo lendário ator James Whitmore. Mas os recém chegados a Shawshank estava um iria provar o contrário, seu nome: Andy Dufresne. Justamente de quem menos se esperava algo ousado. Aquele que o personagem de Morgan Freeman, Red apostou, e perdeu, que choraria na primeira e mais cruel noite em Shawshank. Porém, logo ele procurou seguir os conselhos do amigo Red para poder escapar da loucura, ocupando-se em atividades. Primeiro, esculpindo peças de xadrez em pedra sabão, depois em outras menos prosaicas como o imposto de renda dos guardas, a contabilidade do diretor Warden Norton e a reforma da biblioteca.

Cabe a ele a responsabilidade por um dos momentos mágicos do filme, daqueles que justificam tudo o que o cinema é: uma fábrica de sonhos. Depois de conquistar a confiança e gozar de prestígio com o cruel e corrupto Norton, ele se sente tentado a desafiá-lo. E o faz espalhando um pouco de cultura para aquele ambiente hostil, ao encontrar um vinil de As Bodas de Figaro, a mais italiana e mais lírica das óperas de Mozart. Após prender no sanitário o guarda que o acompanhava, ele põe o disco para tocar. Não se contentando em ouvi-lo sozinho, liga o amplificador do sistema de comunicação interno com a deliberada intenção de permitir que as divinas vozes das cantoras se espalhem maravilhosamente por todo o presídio alcançando incrédulos ouvidos, e mais acostumados a ouvir ranger de dentes e choros desesperados.

Sua intempestiva decisão afeta toda a rotina do presídio. E, inteligente, obviamente sabia que pagaria caro para um furioso Norton com este gesto. Entretanto, sentado na cadeira com uma expressão facial deixando claro que àquela altura estava disposto a pagar qualquer preço para sentir que, mesmo após os duros anos e todo o sofrimento ainda estava vivo (não no sentido de respirar), mas de espírito. Que apesar de tudo não havia perdido o gosto pelas coisas boas da vida. 

Red, apoiado em um texto brilhante, narra em off, de forma magistral toda a imortal sequência. Darabont inicia a tomada no interior da sala de transmissão, com Andy colocando a bolacha para tocar, em seguida sentando na cadeira relaxado com um sorriso maroto e as mãos atrás da cabeça. A grua então, erguendo lentamente a câmera, passa do interior da sala para o pátio cheio de prisioneiros fitando o alto-falante. Movimento de câmera e ópera parecem fazer parte de um espetáculo de balé de rara leveza e beleza, parecem ser indivisíveis de tão harmoniosos são. E com a capacidade infinita de emocionar não só os espectadores, mas até aqueles corações embrutecidos, como só os bons espetáculos o são. Coisa de cinema! 

Bem, chega de lero; é clicar na imagem acima e deixar o resto para a imaginação.

Saiba mais sobre Um Sonho de Liberdade no site IMDb, link abaixo
Um Sonho de Liberdade (1994)
The Shawshank Redemption (original title)
16 | 2h 22min | Crime, Drama | 17 March 1995
Two imprisoned men bond over a number of years, finding solace and eventual redemption through acts of common decency.
Director:
 
Writers:
  (short story "Rita Hayworth and Shawshank Redemption"), (screenplay)
Um Sonho de Liberdade Poster


domingo, 5 de junho de 2016

LESLIE CARON CANTA COM OS BONECOS EM LILI

Como Hollywood conseguia encantar nos anos 50 


Este clássico conto de fadas, é um daqueles filmes que encantam, seja por sua história ingênua, por sua fotografia carregada de cores ou por sua trilha sonora premiada com Oscar.


O roteiro desta encantadora história (de uma saudosa Hollywood que não existe mais), foi escrito por Helen Deutsch baseado no conto Paul Galico chamado 'Love of Seven Dolls'. Lili é um delicioso filme que conta as desventuras de uma francesinha de dezesseis anos, que passa a trabalhar com um grupo de artistas de um teatro de marionetes em um circo. Órfã após a morte do pai, ela vai para Paris atrás de uma amigo recomendado pelo pai pouco antes de morrer. Ao chegar acaba ficando sem ninguém ao descobrir que o amigo recomendado pelo pai também havia morrido há um mês. Na cidade grande, ingênua, acaba se apaixonando pelo mágico do circo a quem conheceu por um acaso, mas que a vê apenas como uma jovem inocente. Solitária, ela o segue até o circo à procura de um trabalho qualquer. Começa então a conversar com os marionetes do circo, esquecendo que por trás deles existe alguém dando-lhes vida.

Apesar de receber 5 indicações ao Oscar, incluindo diretor e atriz,.saiu-se vencedor apenas com o de Melhor Trilha Sonoradia ou Drama; o filme recebeu mais 5 indicações  A cena em que ela conversa com os marionetes e canta Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-Lo é um dos pontos altos do filme, eterno, um 'momento 10'.

Saiba mais sobre Lili no site IMDb, link abaixo:
Lili (1953)
1h 21min | Drama, Musical, Romance | 10 July 1953 (USA)
An orphaned young woman becomes part of a puppet act and forms a relationship with the anti-social puppeteer.

Director:

 

Writers:

  (screen play),  (based on a story by)
Lili Poster

domingo, 1 de maio de 2016

O ANJO AZUL

Uma pungente visão da decadência alemã antes do nazismo assumir o poder  

Retratada através do declínio de um professor de forma sutil por Stemberg, com pitadas de humor para tornar a história menos dura, mais palatável  

O filme transformaria a gordinha Marlene Dietrich, no papel da cantora de cabaré Lola Lola, uma estrela.

O inventor da estrela
Miss Dietrich sou eu, eu sou Miss Dietrich; - AJosef von Stemberg

Stemberg
Desde seu nascedouro o cinema buscou suprir a impossibilidade de reproduzir o som através de construções imagéticas, que externassem a representação sonora. Por fim, somente em 1927 o cinema passou a contar com sua existência. Até então, haviam sido muitas as tentativas de sincronizar som e imagem até o aparecimento do Vitaphone.

Apenas três anos depois de seu surgimento, em abril de 1930, estreou o O Anjo Azul, o filme que tornaria Marlene Dietrichno papel da cantora de cabaré Lola Lola — até então uma ilustre desconhecida — uma estrela. A obra foi dirigida pelo austríaco Josef von Sternberg. Adaptado do romance Professor Unrat, de Heinrich Mann, esse clássico do cinema alemão narra a história de Immanuel Rath —–interpretado por Emil Jannings, o educado, severo e um tanto quanto ingênuo professor de inglês e literatura que irá atrás de seus alunos na casa de espetáculos Anjo Azul para repreende-los. É lá que conhece Lola Lola e, como ocorre com todos, acaba seduzido pelos encantos da moça.

Jannings foi um dos principais atores do cinema expressionista (mudo) alemão. Trabalhou com o diretor Paul Leni em Figuras de Cera (1924), também conhecido por O Gabinete das Figuras de Cera, e em três filmes do aclamado Friedrich MurnauTartufo (1925), Fausto (1926) e A Última Gargalhada, também de 1924. Esse último merece um destaque especial, não apenas por ser uma das grandes obras da corrente expressionista, mas também a principal referência do ator.

O advento do cinema sonoro em 1927 acarretou receios, diversas modificações no modus operandi de produção e expectativas no que diz respeito aos efeitos que essa evolução técnica traria à linguagem cinematográfica já consolidada naquele momento. Mas também transtornos a determinados atores. Foi por esse motivo que a carreira de Jannings, em Hollywood, que ainda engatinhava ficou abalada devido ao seu acentuado sotaque alemão. O que não impediu que ele fosse reconhecido por ter sido o primeiro a receber um Oscar de melhor ator, por seu trabalho nos filmes Tortura da Carne (1927) — também conhecido por Tentação da Carne, do americano Victor Fleming (o mesmo de O Mágico de Oz e ...E o Vento Levou, ambos de 1939), e A Última Ordem (1928), esse dirigido pelo próprio Sternberg.

Filho de um ex-soldado judeu do Império Austro-Húngaro, Sternberg passou a infância entre Viena, sua cidade natal, e Nova York. Por falta de recursos, abandonou o colégio aos 15 anos e experimentou inúmeros subempregos até ingressar aos 18 no cinema, trabalhando na limpeza e restauração de filmes. Sujeito inquieto, Stemberg foi ator e assistente nos EUA e na Europa. Estreou na direção em 1925 com The Salvation Hunters (sem título no Brasil), sucesso de crítica e fracasso de público. Em 1930, o ator Emil Jannings e o produtor 
Erich Pommer o convidaram para dirigir O Anjo Azul, o primeiro filme sonoro alemão. Para o papel da fatal Lola Lola, Sternberg escolheu a então desconhecida e gordinha Marlene Dietrich. Obra que foi a única do cineasta que não acabou no esquecimento. Ele ficou literalmente fascinado pela atriz, de quem se tornaria um dos inúmeros amantes, levou-a para Hollywood, com o objetivo de transformá-la em uma nova Greta Garbo Fizeram sete filmes juntos, que se tornaram imortais pela qualidade cinematográfica e busca estética. Dietrich libertou-se da parceria, filmando depois com os grandes cineastas da época como WellesLang,  Wilder  e Hitchcock, entre outros. Após isso Sternberg entrou em atrito com a Paramount, perdeu o controle sobre seus filmes e entrou em amarga decadência

Transgredindo costumes.
Já sua sua estrela principal é reconhecida pelo estilo pessoal peculiar. Marlene Dietrich era uma figura transgressora. Imprimindo um desprezo ao forte componente machista vigente, foi a primeira mulher a usar calças publicamente, gostava de usar terno, nas décadas de 20 e 30, atitude considerada revolucionária para a época. De voz distinta, era também uma das atrizes mais glamourosas das décadas de 30 e 40. No filme Marrocos, também de 1930, realizado pouco depois de O Anjo Azul, ela canta numa boate; após a música, ela leva uma rosa para uma mulher na plateia e lhe dá um beijo na boca, uma cena que fez escândalo na puritana Hollywood dos anos 30. Ele foi um dos primeiros filmes norte-americanos de sua parceria com Stemberg, no qual contracenou com Gary Cooper. A cena do beijo, usando uma gravata, tornou icônica sua imagem. Foi também o filme que lhe valeu a primeira e única nomeação para o Oscar. Essa sua atitude liberal, a atuação firme contra o nazismo e o racismo e a sua emancipação feminina se refletem em sua filmografia e em sua atuação.

Mas foi cantando Falling in Love Again, em O Anjo Azul, que o mundo ouviu sua voz pela primeira vez. Apesar de ganhar papéis cada vez mais importantes na carreira, foi, porém, sua personagem Lola-Lola e o sucesso do filme que a catapultou para a Meca do Cinema. Sua transferência se deu como uma alternativa para rivalizar com a sueca Greta Garbo. A gordinha nunca deixou de cultivar a imagem da femme fatale.

Inserido nessa conturbada fase de transição pela qual passava o cinema, O Anjo Azul apresenta certo domínio quanto à concepção sonora e sua inserção no roteiro, de modo que os resultados obtidos em muito contribuíram para a construção dramática. Isto posto, é interessante abordar — mesmo que brevemente — alguns trechos do filme. Sua sequência inicial apresenta a cidade ao espectador. O primeiro plano mostra-a de cima: telhados de casas e sons de aves; segue então imagens de patos sendo guardados num chiqueirinho e em seguida uma mulher que sobe a proteção de uma vitrine para limpar-lhe o vidro. Duas notas a serem comentadas: o som dos patos, já presentes no primeiro plano do filme – que a câmera ainda não havia captado – permanece no plano da mulher lavando a janela, contribuindo assim para a continuidade espaço-temporal dessa sequência de abertura. Outra questão que merece atenção no plano da mulher subindo a proteção da vitrine é que, por trás do vidro que irá lavar se encontra um poster de Lola Lola. Essa informação imagética acrescenta uma nova dimensão ao plano. Sternberg agrupa, num só plano, uma informação sobre a cidade, a utilização de ruídos – patos, proteção da vitrine subindo e água que a mulher joga no vidro – e por fim a introdução da personagem Lola Lola. Um estilo de filmar, como disse, presente na tomada inicial de A Janela Indiscreta, realizada com maestria pelo mestre do suspense. 

A introdução da personagem apenas com a movimentação da câmera — o mestre do suspense, Hitchcock, utilizou esse recurso em 1954 na sequencia inicial de seu Janela Indiscreta —, é um dado interessante, pois anuncia um tipo de recurso que irá se repetir em outros momentos no filme: a exploração de ruídos externos e naturais – sons de ambiência coerentes com a imagem mostrada – muito bem inseridos na estrutura narrativa, pois não ficam jogados a esmo, chamando atenção para si próprio como efeitos, sendo que sua função é complementar a cena com outros elementos presentes no discurso.

A novidade do som despertava tanto fascínio no final da década de 20, que O Anjo Azul interessa-se em explorar ao máximo o “novo recurso”, reproduzindo sons que poderiam se revelar desnecessários para as narrativas atuais, mas Sternberg o faz com tamanha sutileza e tão bem inseridos que essas escolhas só vêm somar no resultado final. Assim, há uma cena na qual o prof. Rath se encontra no camarim de Lola, e dentre os móveis e objetos que compõem o cenário encontra-se um piano. Ninguém o toca, portanto não ouviríamos seu característico. Todavia, no sentido de explorar o ruído que um simples esbarrar nas teclas causaria, tem-se Lola Lola “precisando” apoiar-se no teclado do piano para pegar um chapéu. Importante registrar, que sem a possibilidade de representação física do som seria inconcebível propor tais cenas. A concepção sonora de O Anjo Azul demonstra o esforço de Sternberg em integrar o novo recurso no roteiro de modo a explorá-lo como ferramenta dramática, sendo notável o modo que o relaciona com os demais elementos da narrativa.

Professor Rath com seus alunos.
O professor Immanuel Rath leciona em uma escola de ensino médio, onde os alunos trocam figurinhas durante a aula. Sua austeridade fica evidente logo em uma das primeiras cenas quando, incomodado com a forma como um aluno pronuncia uma palavra em inglês, ordena que todos a escrevam duzentas vezes em seus cadernos. Assim, inicia a lenta, porém crescente, degradação da vida desse austero e ingênuo professor. Quando ele descobre que as figurinhas são de mulheres quase nuas, fica muito irritado. Não demora muito para descobrir que eles frequentam uma espelunca chamada Anjo Azul. Decidido a corrigir o problema, ele vai até lá pedir explicações aos jovens, e acaba conhecendo Lola Lola, a grande atração das noites no inferninho. Sedutora e espirituosa, ela acaba conquistando a simpatia do professor, que chega até a defendê-la de um velhote que tenta aliciá-la.

A coisa se complica quando os dois se envolvem de fato. Lola passa a noite com Rath e seus alunos fazem um grande alvoroço na sala de aula zombando dele. O diretor da escola aparece no momento e repreende Rath por se envolver com Lola e acaba despedindo-o. É a partir desse ponto que o filme se aproxima do clássico A Última Gargalhada, dirigido por Murnau, como já dito acima. Nele, Jannings interpreta um porteiro de um hotel de luxo que, após muitos anos, sofre um revés ao ser rebaixado devido a problemas físicos. Sua transferência para outro setor leva-o a entrar em depressão e vergonha.

Desse momento em diante, o antes pacato e até certo ponto inocente professor se apaixona por Lola, a tal ponto que a pede em casamento para proteger-se dos insultos de seus alunos. O mesmo impacto emocional se observa no professor com sua demissão, dando-se início a trajetória de sua decadência. Somos então apresentados ao casal, cinco anos mais tarde, já num estado crítico do relacionamento atormentado pelo ciúme, entre outras coisas.

Sedutora e espirituosa, ela conquista o professor.
Após o casamento, sem trabalho e sem dinheiro, Rath passa a viajar com o grupo de artistas acompanhando a esposa nos espetáculos de vaudeville. No início vendendo fotos semi-nuas dela para a plateia (coisa que ele jurara jamais fazer. Logo passa a fazer parte das apresentações trabalhando como palhaço-assistente do mágico Kiepert (Kurt Gerron). Com o espírito visivelmente abatido e preso a uma vida longe do romancismo jovial de quando conheceu Lola Lola, Rath atinge o auge da degradação quando se vê obrigado a se apresentar no Anjo Azul, em sua cidade natal. Em meio aos risos da plateia e uma suposta traição de Lola, o professor surta e acaba por retornar à sua antiga sala de aula no meio da noite, numa busca nostálgica infrutífera de sua vida passada.

O alcance da obra de Sternberg é mais ampla que apenas a de retratar Rath como um solitário simplório e Lola como um  femme fatale. Ambos têm suas frustrações e orgulho; apesar disso, no momento em que ela canta no Anjo Azul, tendo o professor como convidado de honra, é perceptível uma sincera afinidade entre os dois. Só que a Lola idealizada por ele, acaba pulverizando a relação quando sua vida de sonhos ao lado dela não é correspondida. Um desastre previsto sem maiores esforços na forma de um deprimente palhaço que perambulava pelos corredores do Anjo Azul, numa alegoria à triste e solitária vida dos espetáculos (mais tarde, o próprio Rath viria a personificar a figura deste palhaço).

O professor com Lola no Anjo Azul.
As comparações entre os dois personagens, porteiro e professor, vividos respectivamente por Emil Jannings, nos filmes de Murnau e Sternberg, são inevitáveis, e todas elas tristes: a do porteiro que vê o botão de seu tradicional uniforme cair no chão, é semelhante a o professor que recolhe seus pertences na sala de aula vazia; outra, quando o porteiro cai embriagado em delírio e sonha com seu antigo emprego, é o professor que arranca risadas imitando o canto de um galo; por fim, igualmente triste são as cenas do porteiro lustrando os sapatos de um almofadinha no banheiro masculino, quanto a do professor vestido de palhaço que sobe a um palco para que quebrem ovos em sua cabeça enquanto sua esposa está com outro nos bastidores.

Não obstante as semelhanças entre os filmes dos dois cineastas, a decadência de Rath é retratada de forma muito mais sutil. Em vários momentos Sternberg acertadamente acrescentou pitadas de humor, como o professor assoando o nariz antes de começar a aula e Lola se divertindo quando ele a pede em casamento. Esses detalhes torna a obra menos dura que A Última Gargalhada.

Semelhanças postas, a direção de Sternberg foi mais inteligente fazendo com que a humilhação de Rath fosse perceptível por todo o tempo ao espectador, mas não a ele próprio, que permanecia iludido com Lola. Ele só se dá conta de sua queda no final, quando é obrigado a se apresentar no Anjo Azul e flagra a esposa com outro. Não foi necessária a piedade do roteirista com relação ao personagem de A Última Gargalhada, pois o choque veio na hora certa e o personagem terminou como deveria terminar: triste e sozinho.
Imagem icônica de Dietrich como Lola lola.
Sob o ponto de vista técnico o filme permanece surpreendente até os dias atuais. Todo o declínio do protagonista vivido por Jannings é acompanhado por uma fotografia melancólica, e com uma ótima utilização de som da mais alta qualidade, principalmente se levado em conta o fato de ter sido filmado no começo do cinema sonoro. A atmosfera escura e mórbida que o filme apresenta reflete, curiosamente, um momento peculiar da história alemã: a administração Weimar, logo antes da ascensão do nazismo, quando as consequências da quebra na bolsa de valores de Nova York tiveram um impacto claustrofóbico no país, deixando seis milhões de desempregados e uma inflação de 32400% ao mês. A estória de Rath reflete bem o clima de desespero e frustração da época. Das muitas importante contribuições técnicas deixadas por esta obra, destaco a utilização combinada de movimento e perspectiva, magistralmente empregados na simbólica libertação da cena final.

Saiba mais sobre O Anjo Azul no IMDb, link abaixo:
O Anjo Azul (1930) Der Blaue Engel, 1930 - (Título original)
2h 4min | Drama, Music | 18 August 1930 (Denmark)

Director:

Wriiers:

  (novel),  | 2 more credits »
  

domingo, 13 de março de 2016

JULIE ANDREWS CANTA THE SOUND OF MUSIC NOS ALPES

Um clássico que desafia o tempo 

Quando todos em Hollywood imaginavam que os anos 60 iniciavam sinalizando o fim dos musicais, assim como ocorrera com os faroestes, surge esta obra encantadora derrubando todas as previsões. Levou milhões às salas de cinema no planeta. 


Existem filmes que são mágicos, eternos. Sempre vão nos emocionar, não importa quantas vezes o tenhamos visto. O incrível é que sua história é simplória como a personagem que retrata: uma aspirante a freira chamada Maria (Julie Andrews) é convidada a cuidar dos sete filhos de um capitão da Marinha viúvo. Embora teimosa (rebelde), ela consegue arrebatar o coração das crianças e do durão capitão Von Trapp (Christopher Plummer). Mas o que mais há no filme? Certamente não é um filme com uma trama cheia de reviravoltas. A explicação para seu sucesso e jovialidade, talvez esteja exatamente em sua simplicidade.
Os acontecimentos que inspiraram sua realização ocorreram na Áustria entre os anos 20 e 30. A autobiografia de Maria von Trapp, relatando esses eventos, foi publicada em 1949 e transformada em musical na Broadway dez anos depois, por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein. Aí surgiu o filme, o mais popular musical de Hollywood. Ele possui vários momentos mágicos embalado por belas canções,  e todos nós já até cantarolamos algumas delas, principalmente Dó-Ré-Mi. E quando a ouvimos não há como não associá-la imediatamente à imagem de Julie Andrews cantando no topo de uma verdejante montanha alpina. 

Selecionei esta sequência, a primeira cena do filme, quando Maria é apresentada correndo como uma adolescente na montanha. É um dos momentos mágicos do cinema, antológicos. É ver para sonhar, é 10.

Saiba mais sobre A Noviça Rebelde no site IMDb, link abaixo:
A Noviça Rebelde (1965)
Casablanca (1942)
The Sound of Music (original title)
Livre | 2h 54min | Biography, Drama, Family | 3 May 1965


A woman leaves an Austrian convent to become a governess to the children of a Naval officer widower.

Director:

 

Writers:

  (with the partial use of ideas by) (as Georg Hurdalek),  (from the stage musical book by) | 2 more credits »

domingo, 21 de fevereiro de 2016

ORSON WELLES



Saiba mais sobre Orson Welles no site IMDb, link abaixo:
Orson Welles (Actor, Cidadão Kane (1941)) - (1915–1985)

Actor | Writer | Director

His father was a well-to-do inventor, his mother a beautiful concert pianist; Orson Welles was gifted in many arts (magic, piano, painting) as a child. When his mother died (he was seven) he traveled the world with his father. When his father died (he was fifteen) he became the ward of Chicago's Dr. Maurice Bernstein. In 1931, he graduated from the... See full bio »


FRANK CAPRA



saiba mais sobre Frank Capra no site IMDb, link abaixo

Frank Capra   (1897–1991)

Director | Writer | Producer

One of seven children, Frank Capra was born on May 18, 1897, in Bisacquino, Sicily. On May 10, 1903, his family left for America aboard the ship Germania, arriving in New York on May 23rd. "There's no ventilation, and it stinks like hell. They're all miserable. It's the most degrading place you could ever be," Capra said about his Atlantic passage...See full bio »

domingo, 3 de janeiro de 2016

DAVID LEAN




Saiba mais sobre David Lean no site IMDb, link abaixo
David Lean (I) (Director, Lawrence da Arábia (1962)) - (1908–1991)

Editor | Director | Writer

An important British filmmaker, David Lean was born in Croydon in 1908 and brought up in a strict Quaker family (ironically, as a child he wasn't allowed to go to the movies). During the 1920s he briefly considered the possibility of becoming an accountant like his father before finding a job at Gaumont British Studios in 1927. He worked as tea ... See full bio »




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